O relatório divulgado pela Oxfam nesta quinta-feira (26) afirma que a fortuna acumulada pelo 1% mais rico do mundo poderia acabar com a pobreza extrema global 22 vezes.
O documento destaca o crescimento da desigualdade e sugere políticas como taxação progressiva e investimentos sociais para combater o problema.
Segundo a organização, a concentração de riqueza dificulta o acesso a serviços básicos e ameaça esforços humanitários.
Desigualdade e concentração de riqueza
De acordo com o relatório “Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não a Oligarquia”, publicado na terça-feira (25), a fortuna do 1% mais rico cresceu mais de US$ 33,9 trilhões (cerca de R$ 185 trilhões) desde 2015. Apenas 3 mil bilionários viram suas riquezas aumentarem US$ 6,5 trilhões (R$ 35,4 trilhões), representando 14,6% do PIB global.
Enquanto isso, cerca de 3,7 bilhões de pessoas sobrevivem com menos de US$ 8,30 por dia, o equivalente a R$ 45. Entre 1995 e 2023, a riqueza privada global saltou US$ 342 trilhões (R$ 1,86 quatrilhão), oito vezes mais do que a riqueza pública acumulada no mesmo período.
Consequências dos cortes e dívidas
O relatório denuncia que governos de países ricos promovem cortes históricos em ajuda humanitária e ao desenvolvimento. Países do G7, responsáveis por 75% da ajuda oficial global, planejam reduzir repasses em 28% até 2026. A Oxfam alerta que isso pode causar até 2,9 milhões de mortes relacionadas ao HIV/AIDS até 2030. Além disso, 60% dos países mais pobres enfrentam crises de dívida, pagando mais aos credores privados do que investem em saúde e educação.
Propostas e reação global
Diante desse cenário, a Oxfam propõe políticas públicas focadas na redução das desigualdades, incluindo taxação dos ultrarricos, reformas no sistema de dívidas globais, investimento em serviços públicos e novas métricas além do PIB.
O diretor-executivo da Oxfam Internacional, Amitabh Behar, afirma: “Essa concentração extrema de riqueza está sufocando os esforços para acabar com a pobreza”. Ele destaca que os interesses de uma minoria rica têm prevalecido sobre as necessidades da maioria.
Uma pesquisa em 13 países, como Brasil, Canadá, França, Índia, África do Sul e EUA, mostra que 9 em cada 10 pessoas apoiam a taxação dos super-ricos para financiar serviços públicos e combater a crise climática.
As propostas do relatório serão apresentadas oficialmente em 30 de junho, durante a 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, na Espanha, com participação de mais de 190 países.