Política

Com canal técnico esgotado, Lula mira encontro com Trump no G7 para barrar novas tarifas

Itamaraty avalia que argumentos técnicos foram ignorados pelo USTR; conversa direta entre presidentes no G7 é vista como última saída
Lula e Trump no encontro do G7: negociações sobre tarifas comerciais EUA-Brasil

O Brasil chegou ao limite das negociações técnicas com Washington. Depois de meses de reuniões, dados e respostas enviadas ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), diplomatas brasileiros concluem que o único caminho restante é um encontro direto entre Lula e Trump.

A aposta é no G7 da França, que acontece na próxima semana. Lula foi convidado pelo presidente Emmanuel Macron, anfitrião do encontro — mesmo o Brasil não sendo membro do grupo.

Em jogo estão tarifas recomendadas pelo USTR com base na Seção 301, que classifica práticas brasileiras como desleais ao comércio americano. Os alvos incluem o PIX, o etanol, políticas de desmatamento e propriedade intelectual.

O impasse que virou crise política

A investigação da Seção 301 foi aberta pelo governo Trump em julho de 2025 e gerou meses de esforço diplomático brasileiro. Representantes dos dois governos se reuniram por telefone, videoconferência e presencialmente em Washington. O Brasil apresentou dados oficiais, respondeu a questionamentos e esclareceu dúvidas — e, segundo diplomatas envolvidos nas negociações, tudo foi desconsiderado.

Entre os argumentos ignorados estão os que demonstram o esforço brasileiro no combate ao desmatamento ilegal nos últimos anos. Para Brasília, as recomendações do USTR têm caráter político, não técnico.

A rodada bilateral iniciada após a cúpula Lula-Trump em Washington, em maio, não foi suficiente para destravar os pontos da Seção 301 — lacuna que leva o Palácio do Planalto a buscar agora uma conversa direta entre os dois presidentes no G7.

Lula e Trump já acumulam histórico de encontros bilaterais: se viram na Malásia em outubro de 2025, em Washington em maio deste ano e trocaram palavras rapidamente em Nova York, na Assembleia Geral da ONU, no ano passado.

A reciprocidade que o Itamaraty prefere não acionar

Em resposta às ameaças de tarifas, o Congresso Nacional aprovou, com apoio do governo, a Lei da Reciprocidade. O instrumento permite ao Brasil reagir na mesma proporção caso um parceiro econômico adote medidas que prejudiquem a economia nacional. O governo já fez referência à lei em dois comunicados oficiais nas últimas semanas.

Mas o Itamaraty reluta em acionar o mecanismo. A razão é estratégica: os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Uma retaliação formal poderia comprometer um comércio bilateral que Brasília não quer arriscar.

A aposta no G7 surge menos de duas semanas depois de Lula ter anunciado uma nova carta a Trump ao ser pego de surpresa pelas tarifas — o otimismo trazido da Casa Branca em maio se desfez rapidamente quando as propostas chegaram sem aviso prévio.

A Lei da Reciprocidade já havia sido evocada em nota oficial em que o Brasil classificou as tarifas americanas de ‘injustificáveis’ — mas o Itamaraty segue apostando na diplomacia como primeira escolha.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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