Política

Tren de Aragua domina garimpo e tráfico em Roraima desde 2016

Facção venezuelana classificada como terrorista pelos EUA opera em parceria com PCC e CV no Norte do Brasil
Tren de Aragua em Roraima: membro detido com mapa da região Norte mostrando domínio criminal

A facção venezuelana Tren de Aragua se instalou em Roraima há quase uma década e hoje controla rotas de tráfico de drogas e armas, garimpo ilegal e esquemas de exploração sexual no Norte do Brasil.

Em 2025, a polícia encontrou um cemitério clandestino com ao menos nove corpos na Zona Oeste de Boa Vista — a maioria vítimas venezuelanas assassinadas por ordem da própria facção.

Classificada como organização terrorista estrangeira pelos Estados Unidos, a mesma categoria aplicada ao PCC e ao Comando Vermelho, a facção opera em parceria com grupos criminosos brasileiros e explora a vulnerabilidade de imigrantes venezuelanos.

Fundado em um presídio no centro-norte da Venezuela, a cerca de 60 km de Caracas, o Tren de Aragua cresceu sob o domínio de pranes — líderes criminosos que controlavam o Centro Penitenciário de Aragua, o Tocorón, desde o início dos anos 2010. Em setembro de 2023, o governo de Nicolás Maduro retomou a prisão, enfraquecendo a estrutura da facção — ainda que relatos indiquem que as lideranças foram avisadas com antecedência e fugiram com armas e dinheiro.

Hoje, as ordens para as células no Brasil partem de Las Claritas, última cidade venezuelana antes da fronteira com Roraima, controlada por Yohan José Romero, o Johan Petrica — apontado como um dos “pais” do TDA. Indiciado por terrorismo e distribuição internacional de drogas pela Procuradoria dos EUA em dezembro de 2025, seu paradeiro permanece desconhecido.

Fronteira aberta e garimpo ilegal

A cidade fronteiriça de Pacaraima serve de porta de entrada para a circulação de criminosos, armas e drogas entre os dois países. Pelas trochas — trilhas clandestinas que cortam a divisa —, armamentos desviados das forças venezuelanas chegam regularmente ao Brasil, abastecendo o garimpo ilegal. “A vegetação baixa não representa obstáculo para a transposição. Isso é muito propício para transportar drogas, armas ou pessoas”, diz o delegado Wesley Costa, da Polícia Civil.

A mineração ilegal é hoje uma das principais fontes de renda do TDA no Brasil, segundo Rodrigo Chagas, pesquisador sênior do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Além da venda de armas, o grupo controla o abastecimento de combustíveis, alimentos e maquinaria para as zonas de garimpo — e domina a extração de ouro em Las Claritas desde pelo menos 2010.

Via Rorainópolis, armas de alto calibre chegam ao Amazonas e ao Rio de Janeiro, parar nas mãos do PCC e de parcela do Comando Vermelho. A expansão do Tren de Aragua pelo continente foi justamente o gatilho que levou Argentina, Chile, Bolívia, Equador e Peru a assinar, em maio, um plano conjunto de inteligência e controle de fronteiras contra o crime organizado transnacional.

A designação do TDA como organização terrorista estrangeira pelos EUA segue o mesmo caminho imposto ao PCC e ao Comando Vermelho — medida que, no caso das facções brasileiras, levou o ministro Dario Durigan a negociar em Washington para evitar sanções ao sistema financeiro nacional.

São os imigrantes venezuelanos que vivem no Norte do Brasil os que mais sofrem com a atuação do TDA. Mais de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil entre 2018 e o final de 2025, com mais de 700 mil permanecendo no território — e muitos membros de gangues se infiltraram entre esses números, segundo a Polícia Civil.

Exploração nos abrigos e nas zonas de garimpo

No auge do fluxo migratório, a partir de 2018, os abrigos da Operação Acolhida se tornaram alvo de criminosos que cobravam taxas de imigrantes para acesso a áreas internas ou para receber alimentos gratuitos. Mulheres eram recrutadas sob promessa de trabalho como cozinheiras e desviadas para a prostituição nas zonas de garimpo, onde trabalhadores eram mantidos em regime de trabalho forçado, obrigados a juntar gramas de ouro para quitar supostas dívidas de transporte e hospedagem.

Imigrantes que desafiaram as regras ou tentaram fugir sofreram agressões pesadas ou foram assassinados. A brutalidade é uma das marcas da facção: nos últimos anos, a polícia encontrou corpos decapitados ou mutilados, enrolados em colchões e sacos, em áreas de mata e terrenos baldios em Boa Vista. “O Tren de Aragua ganhou fama por ser o grupo que pratica violências mais agudas — não é simplesmente o fato de matar, mas matar com crueldade e agressividade muito grande”, afirma Chagas, do FBSP.

Em números absolutos, Roraima registrou 174 homicídios em 2024, segundo o Atlas da Violência 2026, do Ipea e do FBSP — com queda de 53,8% nos homicídios dolosos entre 2021 e 2024. O governador Antonio Denarium (Progressistas) cobra maior fiscalização da fronteira, legislação mais rígida para entrada de estrangeiros e a construção de um pavilhão exclusivo para presos estrangeiros na penitenciária estadual.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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