O mercado financeiro reduziu pela quarta semana seguida sua projeção para a inflação em 2026, que caiu para 5,12%. O número está no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (27) pelo Banco Central com base em consulta a mais de 100 instituições financeiras.
Mesmo com a retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo e ameaça pressionar os combustíveis no Brasil, os analistas mantiveram a expectativa de novos cortes da Selic, hoje em 14,25% ao ano.
Recuo da inflação resiste à alta do petróleo
Na semana anterior, o próprio Boletim Focus já apontava a inflação de 2026 em 5,16%, patamar que vem recuando há quatro semanas seguidas. A trajetória de queda chama atenção porque ocorre em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que encareceu o petróleo e tem potencial de pressionar os preços dos combustíveis no país.
Quanto maior a inflação, menor o poder de compra da população — efeito que atinge com mais força quem recebe salários mais baixos, já que os preços sobem sem que os ganhos acompanhem o mesmo ritmo.
A leitura mais branda do mercado contrasta com a própria equipe econômica do governo, que elevou sua estimativa de inflação para 5,1% em julho, reconhecendo o estouro do teto da meta em 2026. Ainda assim, o mercado elevou a projeção de inflação para 2028 — ano-alvo que baliza as decisões do Banco Central sobre a taxa de juros — mas segue apostando em novos cortes da Selic, atualmente em 14,25% ao ano após três reduções neste ano.
PIB e câmbio seguem estáveis nas projeções
Para o crescimento do Produto Interno Bruto em 2026, a estimativa do mercado permaneceu em 1,99%. A cautela do mercado destoa do otimismo do FMI, que projeta crescimento de 2,4% para o Brasil neste ano. Em 2025, o PIB brasileiro cresceu 2,3%, segundo dado oficial do IBGE.
Já para 2027, a projeção de expansão do PIB caiu de 1,65% para 1,60%. No câmbio, o mercado manteve a estimativa para o fim deste ano em R$ 5,20 por dólar, mas elevou a previsão para o fechamento de 2027, de R$ 5,28 para R$ 5,29.
