Economia

Mercado reduz previsão de inflação para 2026 e aposta em corte maior de juros

Pela sexta semana seguida, mercado reduz projeção de inflação para 5,02% em 2026; Selic cai para 14% após quatro cortes no ano
Sede do Banco Central do Brasil com previsão de inflação 2026 em queda e expectativa de corte nos juros

O mercado financeiro reduziu pela sexta semana seguida sua estimativa para a inflação em 2026, agora em 5,02% — de acordo com o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central, com base em pesquisa com mais de 100 instituições financeiras.

O levantamento também mostrou que os analistas seguem prevendo novos cortes da Selic, atualmente em 14% ao ano após quatro reduções em 2026.

A queda na estimativa de inflação chama atenção porque acontece em meio à retomada da guerra no Oriente Médio — conflito que pressionou o preço do petróleo e poderia encarecer os combustíveis no Brasil. Donald Trump prometeu novas rodadas de negociações, mas o Irã segue impondo condições. Mesmo assim, o mercado revisou a projeção para baixo pela sexta semana seguida; na segunda-feira (3/8), quando o Focus anterior foi publicado, a estimativa estava em 5,03%.

Por que a inflação afeta o bolso

Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — efeito que atinge com mais força quem recebe os salários mais baixos, já que os preços sobem sem que a renda acompanhe o mesmo ritmo.

Mesmo com a inflação ainda projetada acima da meta central que o Banco Central persegue para o primeiro trimestre de 2028, o cenário abriu espaço para os analistas apostarem em uma redução maior da Selic ao longo deste ano.

PIB recua para 1,98% em 2026

A estimativa para o crescimento do PIB em 2026 recuou de 1,99% para 1,98% na semana. Para 2027, a previsão caiu de 1,57% para 1,52%. O IBGE já havia confirmado expansão de 2,3% do PIB no ano passado.

A projeção de 1,98% do mercado destoa do otimismo do FMI, que elevou sua estimativa do PIB brasileiro a 2,4%, patamar mais alto entre as grandes instituições que acompanham o país.

Para o câmbio, a expectativa do mercado para o fim de 2026 seguiu em R$ 5,20 por dólar, sem mudança em relação à semana anterior. Já para 2027, a projeção dos economistas dos bancos se manteve em R$ 5,28 por dólar.

A cautela do mercado com o crescimento tem respaldo em dados recentes: a prévia do PIB avançou apenas 0,1% em maio, reforçando o cenário de desaceleração que o Focus já vinha sinalizando nas últimas semanas.

Com a Selic ainda em patamar elevado — 14% ao ano, mesmo após quatro cortes em 2026 — o mercado sinaliza que o ritmo de afrouxamento monetário pode ganhar velocidade nos próximos boletins, caso a trajetória de queda da inflação se confirme.