O mercado financeiro reduziu nesta segunda-feira (3) sua estimativa para a inflação em 2026, agora em 5,03% — a quinta queda seguida apontada pelo Boletim Focus, pesquisa do Banco Central com mais de 100 instituições financeiras.
O levantamento também mostrou que os analistas passaram a prever um corte mais expressivo da Selic, hoje em 14,25% ao ano, após três reduções neste ano.
A queda na estimativa de inflação chama atenção porque acontece em meio à retomada da guerra no Oriente Médio, conflito que pressionou o preço do petróleo e, em tese, poderia encarecer os combustíveis no Brasil. Ainda assim, o mercado revisou a projeção para baixo pela quinta semana seguida.
Por que a inflação afeta o bolso
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — efeito que atinge com mais força quem recebe os salários mais baixos, já que os preços sobem sem que a renda acompanhe o mesmo ritmo.
Mesmo com a inflação ainda projetada acima da meta central que o Banco Central persegue para 2028, o cenário abriu espaço para os analistas apostarem em uma redução maior da Selic ao longo deste ano.
PIB segue estável em 1,99%
A estimativa para o crescimento do PIB em 2026 permaneceu em 1,99%, mesmo patamar da semana anterior. Para 2027, a previsão recuou de 1,60% para 1,57%. O IBGE já havia confirmado expansão de 2,3% do PIB no ano passado.
A projeção de 1,99% do mercado destoa do otimismo do FMI, que elevou sua estimativa do PIB brasileiro a 2,4%, patamar mais alto entre as grandes instituições que acompanham o país.
Para o câmbio, a expectativa do mercado para o fim de 2026 seguiu em R$ 5,20 por dólar, sem mudança em relação à semana anterior. Já para 2027, a projeção dos economistas dos bancos caiu de R$ 5,29 para R$ 5,28 por dólar.
A cautela do mercado com o crescimento tem respaldo em dados recentes: a prévia do PIB avançou apenas 0,1% em maio, reforçando o cenário de desaceleração que o Focus já vinha sinalizando nas últimas semanas.
Com a Selic ainda em patamar elevado — 14,25% ao ano, mesmo após três cortes em 2026 — o mercado sinaliza que o ritmo de afrouxamento monetário pode ganhar velocidade nos próximos boletins, caso a trajetória de queda da inflação se confirme.