Pela terceira semana seguida, o mercado financeiro reduziu sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,15%, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC).
O levantamento reúne respostas de mais de 100 instituições financeiras consultadas na semana anterior pelo BC, órgão responsável por conduzir a política monetária do país.
A queda ocorre mesmo com a retomada da guerra no Oriente Médio, que voltou a elevar o preço do petróleo e ameaça pressionar os preços dos combustíveis no Brasil.
Selic segue em rota de queda
Apesar da revisão para baixo, o mercado financeiro elevou a projeção de inflação para 2028 — ano que serve de referência para o Banco Central calibrar a taxa básica de juros. Ainda assim, os analistas continuam apostando em novos cortes da Selic, hoje em 14,25% ao ano, após três reduções realizadas neste ano.
A queda na estimativa de inflação chama atenção porque ocorre em meio à retomada da guerra no Oriente Médio, que voltou a pressionar o preço do petróleo. O aumento da commodity tem potencial de encarecer os combustíveis no Brasil e, por consequência, alimentar a inflação — um risco que, em junho, já havia levado o Banco Central a projetar estouro do teto da inflação até dezembro por causa do conflito.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, especialmente entre trabalhadores que recebem os salários mais baixos — já que os preços sobem em ritmo mais acelerado do que os reajustes salariais.
PIB é mantido em 1,99% para 2026
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, a estimativa do mercado permaneceu em 1,99%, mesmo patamar da semana anterior. A estabilidade confirma o cenário sinalizado pela prévia do PIB, que cresceu apenas 0,1% em maio e reforçou os sinais de desaceleração da economia. Para 2027, a projeção de crescimento também ficou parada, em 1,65%.
O número mantido pelos economistas dos bancos contrasta com a leitura mais otimista de organismos internacionais: enquanto o mercado local trabalha com 1,99% para este ano, o FMI elevou recentemente sua projeção para o Brasil a 2,4%, superando todas as estimativas nacionais. Em 2025, o PIB brasileiro avançou oficialmente 2,3%, segundo o IBGE.
No câmbio, o Boletim Focus manteve a previsão de R$ 5,20 por dólar para o fim de 2026 e de R$ 5,28 por dólar para o fechamento de 2027.
