Política

CNJ terá 180 dias para mapear penduricalhos pagos em mais de 90 tribunais

Grupo criado por Fachin vai classificar verbas extras da magistratura e subsidiar proposta legislativa sobre remuneração de juízes
Edson Fachin coordena grupo de trabalho penduricalhos magistratura no mapeamento de verbas extras

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou um grupo de trabalho com 180 dias para mapear todas as verbas pagas a magistrados nos mais de 90 tribunais do país.

O presidente do CNJ, ministro Edson Fachin, anunciou a iniciativa nesta segunda-feira (8) no VI Congresso Brasileiro de Direito e Políticas Públicas, em São Paulo — dias após criar o grupo, na última sexta-feira (6).

O objetivo é classificar cada parcela remuneratória e indenizatória do Judiciário, identificar impactos no teto constitucional e subsidiar uma proposta de padronização dos chamados penduricalhos.

O grupo foi instalado na sexta-feira (6) e inclui juízes auxiliares da presidência do CNJ, a secretária-geral do órgão e representantes de entidades da magistratura. Participam também o Conselho Nacional do Ministério Público, a Defensoria Pública da União, o Senado, a Câmara dos Deputados e o Tribunal de Contas da União.

A proposta deverá garantir padronização, transparência e previsibilidade das parcelas remuneratórias do Judiciário. Cada verba será classificada quanto à natureza jurídica, fundamento normativo e impacto no teto constitucional de R$ 46,3 mil.

O que desencadeou o mapeamento

A movimentação tem origem direta num julgamento do STF realizado em março: o tribunal fixou que verbas extras de caráter indenizatório não podem superar 70% do salário-base, com o valor final limitado ao teto do funcionalismo público.

Em maio, o CNJ deu o passo seguinte e aprovou por unanimidade o contracheque único para todos os juízes do país, concentrando salário e verbas extras num único documento. O grupo de trabalho agora vai mapear tudo o que alimenta esse contracheque.

O diagnóstico por trás das mudanças é revelador: levantamento conjunto do CNJ e do CNMP identificou 360 denominações diferentes para verbas extras pagas a juízes — a dispersão conceitual que o novo grupo tem a missão de ordenar de vez.

No discurso em São Paulo, Fachin foi além das medidas técnicas ao defender a transparência como fundamento da legitimidade do Judiciário.

“Transparência, integridade e accountability não são temas acessórios. São elementos centrais da própria legitimidade democrática do Poder Judiciário”, declarou o ministro.

O presidente do CNJ apontou que a dispersão de mais de 90 centros decisórios administrativos gerou desigualdades, insegurança jurídica e — no pior dos cenários — o uso de verbas indenizatórias com efeitos de verbas remuneratórias para contornar o teto salarial.

As iniciativas são discutidas no âmbito do Observatório Nacional sobre Integridade e Transparência (ONIT), criado durante a gestão de Fachin no CNJ.

Em paralelo, Fachin e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avançam num projeto de lei para regulamentar definitivamente a remuneração dos magistrados — exatamente o tipo de proposta que o novo grupo de trabalho deverá subsidiar com dados e estudos técnicos.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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