Economia

ONS aciona pela primeira vez plano contra excesso de energia no sistema

Feriado prolongado com alta geração solar expôs vulnerabilidade da rede e forçou corte de 1.000 MW
Centro de operações em alerta com monitores mostrando plano emergencial excedente energia distribuída

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou pela primeira vez, neste domingo, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia — mecanismo criado para evitar instabilidade na rede em momentos em que a oferta supera a demanda.

A ação durou quatro horas, entre 10h e 14h, e retirou 1.000 MW do sistema. O gatilho foi a combinação de alta geração solar distribuída com baixa demanda industrial e comercial causada pelo feriado prolongado.

O Plano Emergencial de Gestão de Excedentes foi estabelecido no ano passado, após alertas de risco de colapso no sistema elétrico causado pelo crescimento da geração renovável em períodos de baixa demanda. Seu foco são as usinas Tipo III — categoria que inclui pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e usinas a biomassa.

Embora essas unidades não integrem a rede diretamente controlada pelo ONS, sua geração influencia o equilíbrio do sistema e, em domingos e feriados, pode criar desequilíbrio difícil de absorver.

Como a operação foi executada

Em ação coordenada, as distribuidoras reduziram a geração nas usinas sob sua área de concessão enquanto o ONS implementou medidas complementares. O operador classificou o resultado como um “sucesso”.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que suas associadas executaram os cortes conforme os parâmetros definidos pelo ONS. A entidade anunciou que ainda realizará uma avaliação técnica da ação para detalhar os impactos e resultados do acionamento.

Pelas regras da Aneel, 12 distribuidoras estão atualmente habilitadas a aplicar os cortes previstos no plano. Juntas, elas concentram cerca de 80% da capacidade instalada das usinas Tipo III no Brasil. Uma segunda etapa deve incorporar novas distribuidoras ao mecanismo.

O acionamento deste domingo não veio do nada. Em 2025, dois episódios em domingos acenderam o alerta do setor ao evidenciar o risco crescente de desequilíbrio entre oferta e demanda no sistema elétrico nacional.

O caso mais emblemático ocorreu em 10 de agosto de 2025, quando a geração solar chegou a responder por 37,6% da demanda nacional. Diante do cenário, o ONS precisou reduzir significativamente a produção de hidrelétricas e termelétricas, além de determinar cortes em grandes parques eólicos e solares.

Próximos passos regulatórios

A regulamentação determina que o ONS encaminhe à Aneel, em até 30 dias após cada acionamento, um relatório técnico detalhando as condições que motivaram a medida e os resultados alcançados — protocolo que será seguido após o acionamento deste domingo.

O episódio reforça um desafio estrutural da transição energética brasileira: o crescimento acelerado da geração distribuída — especialmente painéis solares residenciais e comerciais — cria picos de oferta que o sistema ainda não está totalmente preparado para absorver.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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