O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) triplicou a projeção de crescimento do consumo de energia para maio: a estimativa subiu de 0,4% para 1,2% ante o mesmo período de 2025.
A demanda média esperada no país alcançou 79.634 megawatts médios, acima do previsto na semana anterior.
O órgão também melhorou as projeções de chuvas para as hidrelétricas do Sul, que passaram de 87% para 101% da média histórica.
Mais chuva, menos termeletricidade
A melhora na previsão de afluência — volume de água que chega aos reservatórios — para o subsistema Sul é a principal novidade da revisão semanal. Com expectativa de 101% da média histórica, o cenário aponta para geração hidrelétrica mais robusta e menor necessidade de acionar usinas termelétricas, que são mais caras e pressionam as tarifas.
A revisão ocorre justamente após a Aneel ter acionado a bandeira tarifária amarela para maio, quando o recuo das precipitações havia pressionado os reservatórios e forçado o acionamento de termelétricas no período.
Nas demais regiões, o ONS também ajustou para cima as projeções de afluência para o Sudeste/Centro-Oeste e o Nordeste, sem detalhar os percentuais individuais de cada sub-região.
Reservatórios do Sudeste seguem monitorados
Apesar da melhora nas chuvas em parte do país, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste devem encerrar maio com 66,3% da capacidade total — ligeiramente abaixo dos 66,6% projetados na semana anterior, mas ainda em patamar considerado relativamente confortável para o período.
O crescimento do consumo de energia funciona também como termômetro da atividade econômica. A aceleração da demanda — de 0,4% para 1,2% em relação a maio de 2025 — reflete expansão industrial e comercial e justifica o monitoramento contínuo feito pelo operador do sistema.
O subsistema Sul — agora com afluência projetada em 101% da média histórica — é o mesmo foco da proposta do governo para exportar excedentes hídricos à Argentina e ao Uruguai via mecanismo de vertimento turbinável antecipado, operação coordenada pelo próprio ONS.
A combinação de demanda aquecida e melhora nas precipitações reduz a pressão imediata sobre o sistema elétrico nacional. Ainda assim, o comportamento dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste — região que concentra a maior parte da capacidade instalada do país — segue como variável-chave para o segundo semestre.
