O ex-presidente Jair Bolsonaro registrou recorrência acima da média de soluços nos últimos sete dias, segundo relatório médico enviado semanalmente ao Supremo Tribunal Federal e divulgado neste sábado (6).
O boletim aponta ainda cansaço leve, fadiga a esforços moderados e desconforto no ombro direito, operado no início de maio em Brasília. Bolsonaro cumpre prisão domiciliar provisória desde o fim de março.
O que diz o boletim médico
De acordo com a avaliação, o ex-presidente está com pressão arterial controlada, mas mantém instabilidade crônica do equilíbrio corporal — condição que já motivou medidas preventivas contra o risco de quedas. A ausculta pulmonar registra alteração residual na base do pulmão esquerdo, descrita como inalterada em relação aos exames anteriores.
Do ponto de vista cardiológico, o estado é considerado estável. Além dos soluços com frequência acima do habitual, o boletim menciona cansaço leve e fadiga aos médios esforços, além de desconforto aos movimentos de flexão e abdução do ombro direito operado.
Da cela ao regime domiciliar
Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde janeiro, cumpria pena no batalhão da Polícia Militar em Brasília, conhecido como Papudinha.
No fim de março, o ministro Alexandre de Moraes autorizou a prisão domiciliar provisória, a pedido da defesa e após parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O ministro estabeleceu condições para o cumprimento do regime.
Lei da Dosimetria em suspenso no STF
Enquanto o estado de saúde de Bolsonaro é monitorado semana a semana pelo tribunal, a discussão jurídica em torno de sua pena segue aberta. A Lei da Dosimetria, promulgada pelo senador Davi Alcolumbre após o Congresso derrubar o veto de Lula com folga — 318 a 144 na Câmara —, previa redução de penas para condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, o que incluiria a sentença do ex-presidente.
A norma, porém, não chegou a ser aplicada nos casos mais emblemáticos. Moraes suspendeu a lei antes de ela incidir sobre as penas mais aguardadas, remetendo a análise ao plenário do STF. A Advocacia-Geral da União também se posicionou pela inconstitucionalidade da medida. O tribunal ainda não concluiu o julgamento das ações que questionam a norma.
