A Meta anuncia nesta terça-feira (2) a expansão global das configurações de conteúdo para contas de adolescentes no Instagram, Facebook e Messenger — levando a todos os países uma proteção que já estava em teste desde outubro do ano passado.
Os filtros 13+, que bloqueiam publicações consideradas impróprias para jovens, passam a ser padrão universal. O Facebook e o Messenger receberão ainda este ano uma opção de Conteúdo Limitado, versão ainda mais restritiva das configurações já existentes.
Expansão marcada por pressão judicial e regulatória
O anúncio chega em momento de crescente escrutínio sobre os impactos das redes sociais na vida dos jovens. Em abril, a Meta alertou investidores de que a reação legal e regulatória na União Europeia e nos Estados Unidos poderia “afetar significativamente nossos negócios e resultados financeiros”.
O peso judicial é concreto. Em 25 de março, um júri de Los Angeles considerou Meta e Google negligentes por criarem plataformas prejudiciais a adolescentes, concedendo indenização combinada de US$ 6 milhões a uma mulher de 20 anos que afirmou ter desenvolvido vício em redes sociais na infância. A empresa chegou a fechar acordos com escolas americanas para cobrir custos da crise de saúde mental atribuída às plataformas, em um movimento que integra a resposta da companhia à pressão crescente.
A expansão dos filtros faz parte de uma estratégia mais ampla de proteção de menores. A Meta anunciou tecnologia de inteligência artificial capaz de estimar a idade dos usuários sem exigir documentos, para detectar automaticamente contas de menores de 13 anos. Também em maio, o Instagram lançou no Brasil um recurso que notifica pais e responsáveis quando adolescentes pesquisam repetidamente por suicídio ou automutilação — outra peça da mesma ofensiva de proteção nas plataformas.
O que muda na prática para famílias
As configurações 13+ já são o padrão para contas de adolescentes e filtram automaticamente publicações consideradas inadequadas para essa faixa etária. A nova camada de Conteúdo Limitado, prevista para chegar ao Facebook e ao Messenger ainda este ano, promete uma experiência ainda mais controlada para famílias que desejam maior supervisão.
No Instagram, a companhia testa um recurso para evitar que jovens sejam expostos repetidamente a certos tipos de conteúdo. A ferramenta atua em áreas como nutrição, exercícios físicos e saúde mental, buscando promover um feed mais equilibrado e diversificado.
“Reconhecemos que alguns conteúdos — como publicações sobre nutrição, levantamento de peso ou como lidar com a ansiedade — podem ser úteis, mas devem ser equilibrados com outros tipos de conteúdo, em vez de serem exibidos repetidamente”, afirmou a Meta em comunicado.
O recurso também entra no debate sobre câmaras de eco digitais: ao limitar a repetição algorítmica de temas, a ferramenta busca reduzir o efeito de reforço associado a comportamentos de risco em adolescentes.
