A Meta anunciou na terça-feira (5) uma nova tecnologia de inteligência artificial capaz de estimar a idade de usuários do Instagram e do Facebook sem exigir documentos ou selfies. O sistema analisa características físicas — como altura e estrutura óssea — e dados comportamentais para identificar contas de pessoas com menos de 13 anos.
A medida chega simultaneamente ao Brasil, aos Estados Unidos e à União Europeia, em meio à crescente pressão de governos e reguladores sobre a segurança de crianças e adolescentes nas redes sociais.
A novidade se diferencia de abordagens adotadas por outras plataformas, que passaram a solicitar selfies ou documentos de identidade para confirmar a idade dos usuários. Segundo a Meta, o sistema não realizará reconhecimento facial — tecnologia que enfrenta resistência crescente por questões de privacidade, especialmente na União Europeia.
Em vez disso, a IA examinará perfis em busca de pistas contextuais: publicações sobre aniversários, menções a notas escolares, linguagem típica de determinadas faixas etárias e outros sinais distribuídos em postagens, comentários, biografias e legendas.
“Buscamos esses sinais em vários formatos, como postagens, comentários, biografias e legendas, e continuamos expandindo essa tecnologia para partes adicionais dos nossos aplicativos como Instagram Reels, Instagram Live e grupos do Facebook”, afirmou a empresa em comunicado oficial.
A Meta reconhece que determinar a idade de alguém no ambiente digital é “um desafio complexo e de toda a indústria”. A companhia cita casos em que adolescentes informam datas de nascimento falsas ao criar contas para driblar o requisito mínimo de 13 anos — exigido tanto no Instagram quanto no Facebook.
O anúncio chega em momento de forte pressão regulatória sobre plataformas digitais no Brasil e no exterior. A iniciativa da Meta surge logo após o governo federal elevar a classificação indicativa do YouTube para 16 anos, ampliando o cerco às big techs no âmbito do ECA Digital.
Nos Estados Unidos, o estado de Massachusetts já havia processado a Meta questionando exatamente os mecanismos de verificação de idade usados para barrar menores de 13 anos — os mesmos sistemas que a empresa diz agora estar aprimorando com inteligência artificial.
A comparação com concorrentes é inevitável. Ao contrário do Roblox, que passou a usar selfie biométrica para estimar a idade de seus usuários, a Meta apostou em análise comportamental e física, evitando o reconhecimento facial — uma escolha que tende a ser mais bem recebida por reguladores europeus, historicamente mais restritivos ao uso de dados biométricos.
