O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou nesta segunda-feira (1º) seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa presidencial de 2026 e fechou a porta para qualquer candidatura de terceira via.
Em entrevista ao programa “Pânico”, da Jovem Pan, o governador foi categórico: “Meu candidato vai ser o Bolsonaro ou quem o Bolsonaro indicar. O Bolsonaro indicou o Flávio, então meu candidato é o Flávio, ponto, está fechado.”
Tarcísio disse que trabalhará para ajudar Flávio a derrotar o PT e avaliou que a polarização política torna inviável qualquer alternativa competitiva fora dos dois campos ideológicos dominantes.
Na avaliação de Tarcísio, a polarização do país inviabiliza candidaturas fora dos dois polos. Ele citou os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) como exemplos de nomes com gestões bem avaliadas, mas sem tração eleitoral suficiente para romper essa lógica no cenário atual.
As declarações desta segunda ganham contorno de resposta política ao momento de desgaste que Flávio enfrenta. Dias antes, Tarcísio havia cobrado publicamente o senador sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em investigações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
A Polícia Federal apura se Flávio visitou Vorcaro para obter recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Apesar das críticas, Tarcísio negou qualquer rompimento político com o aliado.
O governador tem agenda eleitoral própria para 2026: em maio, formalizou sua chapa para a reeleição em São Paulo com Felício Ramuth como vice, consolidando o projeto que diz ser sua prioridade no ano.
O apoio reafirmado por Tarcísio ganha peso diante do cenário das semanas anteriores: o presidente do PSD, Gilberto Kassab, havia reconhecido um “desgaste muito grande” na pré-campanha de Flávio após as revelações sobre Vorcaro — e chegou a migrar seu apoio para Caiado, acenando justamente para o tipo de terceira via que o governador paulista descarta.
A fidelidade de Tarcísio também contrasta com a leitura internacional. A The Economist havia avaliado que o escândalo com Vorcaro “caiu como uma bomba” no campo bolsonarista, com aliados já cogitando alternativas para o Planalto.
Ao se posicionar publicamente nesta segunda, Tarcísio tenta estancar especulações sobre um racha à direita e sinaliza que, mesmo com o senador sob pressão judicial e política, a estratégia do campo conservador para outubro permanece centrada na candidatura Flávio Bolsonaro.
