O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou nesta terça-feira (16) que já realizou todo o esforço necessário para pautar o projeto de anistia no Congresso Nacional.
Ele cancelou viagem a Brasília, onde acompanharia articulações pela anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e envolvidos na trama golpista, afirmando que a proposta já está bem encaminhada.
Tarcísio agora aguarda a tramitação do tema, enquanto a votação da urgência da anistia será discutida por lideranças partidárias nesta quarta-feira (17).
Movimentações políticas e articulação
Durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas afirmou que conversou com líderes e presidentes de partido, e que o objetivo foi alcançado com a inclusão da pauta da urgência da anistia, prevista para ser discutida no colégio de líderes. “O esforço que tinha que ser feito, foi feito”, declarou o governador.
O governador havia planejado ir a Brasília na terça-feira (15) para seguir com as articulações, mas decidiu cancelar a viagem após avaliar que todos os movimentos necessários já haviam sido realizados. A expectativa era de acompanhar a tramitação da proposta a partir deste ponto.
Tarcísio também aguardava o fim do julgamento da trama golpista antes de retornar à capital federal. Além disso, ele solicitou ao ministro do STF Alexandre de Moraes uma nova visita a Jair Bolsonaro, mas a autorização foi concedida apenas para o dia 29 de setembro, das 9h às 18h. O governador afirmou que não pretende encontrar o ex-presidente antes dessa data autorizada.
Em entrevista ao Diário do Grande ABC, Tarcísio classificou a anistia como um “remédio político e que garante pacificação”. No ato de 7 de setembro na avenida Paulista, defendeu uma anistia ampla e irrestrita, além de afirmar que Bolsonaro deveria disputar as eleições de 2026.
Repercussão e investigações
A decisão de Tarcísio de não ir a Brasília ocorreu após a divulgação de pesquisa Datafolha, que apontou que 54% dos brasileiros são contrários à anistia a Bolsonaro, enquanto 39% são favoráveis. Já o levantamento da Quaest mostrou que 41% rejeitam uma anistia ampla e 36% apoiam.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), informou que a votação da urgência da anistia será discutida nesta quarta-feira (17) entre lideranças partidárias.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, solicitou à Procuradoria Geral da República manifestação sobre a atuação de Tarcísio em prol da anistia, com prazo de cinco dias, atendendo a pedido do deputado federal Rui Falcão (PT-SP).
Nas últimas semanas, Tarcísio esteve em Brasília, onde se reuniu com o senador Ciro Nogueira (PP) e com Hugo Motta. De volta a São Paulo, encontrou-se com o pastor Silas Malafaia e o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, além de ter reuniões com Marcos Pereira, presidente do Republicanos.