O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta sexta-feira (15) que as revelações sobre o vínculo entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro preso Daniel Vorcaro provocam um “desgaste muito grande” na pré-campanha presidencial do parlamentar.
O caso veio a público na quarta (13), quando o Intercept Brasil divulgou áudios em que Flávio trata Vorcaro, dono do Banco Master, por “irmão” e pede dinheiro para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O banqueiro teria repassado R$ 61 milhões ao senador.
Kassab, fiador da candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, passou a ver o ex-governador de Goiás como o pré-candidato mais competitivo da disputa. “Talvez eu não dissesse isso três dias atrás”, admitiu.
A contradição que pesou contra Flávio
Kassab foi preciso ao identificar o núcleo do problema político: o senador “passou a semana dizendo que não tinha contato com Daniel Vorcaro” — e os áudios do Intercept provaram o contrário. Flávio havia classificado de mentira qualquer ligação com o banqueiro na tarde de quarta-feira, mas mudou de versão horas depois, ao admitir ter pedido os recursos para bancar a produção cinematográfica.
A Polícia Federal investiga se os R$ 61 milhões repassados por Vorcaro foram usados para custear a estadia de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — mais um filho do ex-presidente a entrar no radar das apurações.
Vorcaro está preso em Brasília, acusado de liderar um esquema de fraudes financeiras que pode atingir R$ 12 bilhões, conforme apuração da PF. “Tudo que envolve Master é polêmico, é impactante”, reconheceu Kassab ao avaliar a extensão do estrago para a pré-campanha bolsonarista.
Pesquisas e reposicionamento da centro-direita
O Instituto Datafolha estava em campo justamente quando as revelações do Intercept vieram à tona. Os números devem ser divulgados neste sábado (16) — o primeiro retrato eleitoral colhido já sob o impacto do escândalo.
A última pesquisa Quaest, de 13 de maio, mostrava Flávio Bolsonaro em segundo lugar com 33% no primeiro turno, atrás do presidente Lula (PT), com 39%. Caiado aparecia empatado com Romeu Zema (Novo) em 4%. Na simulação de segundo turno contra Lula, o ex-governador de Goiás perdia por 44% a 35%.
Kassab projeta queda de Flávio nos próximos levantamentos. “A tendência de que caia é evidente”, disse. Foi Caiado quem primeiro, entre os grandes nomes da direita, cobrou publicamente explicações de Flávio sobre o caso Vorcaro — postura que Kassab agora transforma em argumento para posicioná-lo como o candidato mais competitivo do campo.
A The Economist já sinalizava que aliados de Flávio cogitavam nomes alternativos para disputar o Planalto, cenário que a avaliação de Kassab torna ainda mais concreto no xadrez da centro-direita.
