Política

Haddad mantém defesa da taxa das blusinhas e rebate Lula: ‘Não mudei de opinião’

Em entrevista à BBC, petista aponta isonomia tributária, ataca gestão Tarcísio e abre porta para prévias internas no PT
Haddad defende taxa das blusinhas 2026 em debate tenso com Lula sobre política tributária

Fernando Haddad reafirmou, em entrevista à BBC News Brasil publicada em 27 de maio, que não se arrepende de ter criado a tributação sobre compras internacionais de até US$ 50 — mesmo depois de Lula revogar a medida em pleno ano eleitoral.

“Não mudei de opinião”, disse o ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo pelo PT. Para ele, a regra deveria ser única: uma loja física não pode pagar mais imposto do que uma plataforma virtual.

A coerência que incomoda

Fazia poucos dias que Lula havia declarado, no programa Sem Censura, que Haddad “acreditava que a taxa era uma coisa boa” e havia transmitido essa “convicção” ao presidente. A declaração soou como uma tentativa de redistribuir o desgaste político de uma medida criada em 2024 e revogada em pleno ano eleitoral.

Haddad não cedeu. Lembrou que governadores de todos os espectros — incluindo Tarcísio de Freitas, Romeu Zema e Eduardo Leite — mantiveram o ICMS sobre compras internacionais até hoje. “Os governadores estão cobrando taxa de blusinha e ninguém vai perguntar para o Tarcísio se ele é contra ou a favor”, ironizou. A Confederação Nacional da Indústria estimou que a medida preservou 135 mil empregos enquanto esteve em vigor.

Sabesp, Banco Master e a estratégia do contraste

Com Tarcísio na liderança das pesquisas — 38% das intenções de voto contra 26% de Haddad, segundo levantamento da Quaest de abril —, o petista aposta no desgaste do adversário. Elencou irregularidades na privatização da Sabesp, vendida com único interessado e ações negociadas abaixo do mercado, e a compra da Emae por fundo ligado ao empresário Nelson Tanure, apontado como sócio oculto do Banco Master. Citou ainda a doação de R$ 2 milhões à campanha de Tarcísio em 2022 por familiar de Daniel Vorcaro, preso nas investigações sobre o banco.

Para Haddad, o escândalo é “todo ligado ao bolsonarismo”, com quatro ex-ministros envolvidos e o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, acusado de ter sido “totalmente leniente” com a escalada de emissões de CDBs que classifica como impagáveis desde o início.

Na segurança pública, Haddad prometeu revelar seu plano detalhado nas próximas semanas. O eixo central é integrar São Paulo às redes federais de inteligência — PF, Receita Federal e Coaf. A proposta dialoga com a PEC de Segurança Pública de Lula, que o presidente condicionou à criação de um Ministério exclusivo para a área e ainda aguarda despacho no Senado — texto que Haddad acusa Tarcísio de ter ajudado a desfigurar ao suprimir o capítulo de cooperação entre órgãos. “O crime está organizado e o Estado não. É isso que está acontecendo”, resumiu.

Haddad admitiu que “inicialmente divergiu” de Lula sobre qual deveria ser sua função em 2026, antes de ser convencido pelo presidente a aceitar a candidatura ao governo paulista. Sobre o vice na chapa, informou que a decisão deve sair “até dia 10, 15 de junho”.

No tema da sucessão partidária — cuja necessidade se aproxima, dado que 2026 deve ser a última corrida presidencial de Lula —, o petista foi cuidadoso, mas deixou a porta aberta: “Imagina se tiver uma prévia no PT? Seria o máximo.” O partido realizou eleições internas para presidente uma única vez em seus 46 anos, em 2002, quando Lula venceu com 84% dos votos sobre Eduardo Suplicy. Citou o governador do Piauí, Rafael Fonteles, como quadro em ascensão nacional, mas evitou fazer listas de favoritos.

Na economia, voltou a atribuir o rombo fiscal de R$ 1,2 trilhão à taxa de juros elevada, não ao crescimento do gasto primário, e projetou que o ciclo de corte da Selic deve corrigir o déficit nominal ao longo do tempo. Sobre a jornada 6×1, defendeu regras de transição a cargo do Congresso e criticou a proposta da direita de dez anos de prazo: “É um pouco demais.”

O plano de cooperação federal que Haddad defende para a segurança paulista se apoia no pacote Brasil Contra o Crime Organizado, lançado por Lula em maio — mas que especialistas já alertaram ter risco de virar pauta eleitoral. O próprio candidato não nega: tornar a integração com a União o centro de sua proposta é, ao mesmo tempo, sua bandeira de governo e seu principal argumento de campanha.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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