A Petrobras formalizou nesta quinta-feira (28) um reajuste de R$ 0,48 por litro na gasolina A negociada com as distribuidoras — mas o aumento efetivo ao longo da cadeia será de apenas R$ 0,04 por litro.
O amortecedor é um subsídio federal de R$ 0,44 por litro, instituído por decreto do presidente Lula na última segunda-feira (25) e operacionalizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que pagará o valor diretamente a produtores e importadores.
A medida tem prazo de dois meses e foi adotada para conter a pressão dos combustíveis, acelerada pela alta do petróleo no mercado internacional em meio à guerra no Oriente Médio.
O mecanismo criado pelo governo federal é direto na estrutura: a Petrobras aplica o reajuste técnico de R$ 0,48 por litro na gasolina A — a versão sem adição de etanol, usada pelas distribuidoras para produzir a gasolina comum e a aditivada. Em paralelo, o Tesouro reembolsa R$ 0,44 por litro diretamente a produtores e importadores via ANP, zerando quase toda a alta antes que ela chegue ao posto.
Com o subsídio embutido, a parcela da Petrobras na composição do preço final cobrado dos consumidores ficará em R$ 1,83 por litro. O restante do valor nas bombas inclui impostos federais e estaduais, além das margens de distribuição e revenda.
Na segunda-feira (25), o presidente Lula havia assinado o decreto que estabelece o subsídio de R$ 0,44 por litro — exatamente o valor que a Petrobras agora desconta das distribuidoras, resultando em alta efetiva de apenas R$ 0,04 por litro. Leia mais sobre o decreto presidencial.
Calibragem para não ceder terreno ao etanol
O formato do subsídio revela uma preocupação estratégica da estatal. Duas semanas antes do anúncio, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, havia alertado que o reajuste precisava ser calibrado para não empurrar consumidores de carros flex para o etanol — preocupação que moldou o desenho do subsídio anunciado nesta quinta. Veja a declaração de Chambriard.
Ao limitar a alta efetiva a R$ 0,04 por litro, governo e Petrobras mantêm a relação de preço entre gasolina e etanol dentro da faixa considerada competitiva para a gasolina nos postos — referência tradicional é que o etanol se torna vantajoso quando seu preço fica abaixo de 70% do valor da gasolina.
O subsídio vale por dois meses. O governo não sinalizou o que ocorrerá com os preços após esse prazo. A escolha de subsidiar — em vez de congelar ou represar o reajuste — mantém a política de preços da Petrobras atrelada ao mercado internacional, mas transfere ao Tesouro o custo de amortecer a volatilidade enquanto a guerra no Oriente Médio pressionar o barril.
