A Polícia Federal abriu nova frente de investigação no caso Master com foco no crédito consignado — especificamente o Credcesta, cartão de benefício destinado a servidores públicos, aposentados e pensionistas.
No centro da nova fase está Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro. Ele deve ser ouvido pela PF nos próximos dias e é apontado como o intermediário que articulou a venda de carteiras do Master ao BRB, banco público do Distrito Federal.
O Credcesta, cujas operações tiveram início na Bahia, é identificado pelos investigadores como o negócio que primeiro aproximou Vorcaro e Lima — e que depois serviu de porta de entrada para o esquema de venda de carteiras do Master ao BRB.
Lima carrega um histórico que vai além das fraudes ligadas ao Banco Master. Preso na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro do ano passado, ele também transita entre lideranças do PT baiano: é próximo do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Nova rodada de oitivas
A PF deve iniciar em breve uma nova fase de depoimentos centrada no negócio entre Master e BRB. Lima é tido como peça-chave para entender como Vorcaro articulou a venda de carteiras — à época já em processo de liquidação pelo Banco Central — à instituição pública do Distrito Federal.
O papel do BRB no esquema já havia motivado, em maio, a prisão do primo de Vorcaro e buscas na residência do senador Ciro Nogueira, quando a PF apurou contratos fictícios de carteiras de crédito entre os dois bancos.
A base documental desta nova fase vem do primeiro aparelho celular de Daniel Vorcaro, periciado pela PF. As mensagens recuperadas registram tratativas para convencer o BRB a fechar a compra das carteiras do Master e, em seguida, a aquisição do próprio banco de Vorcaro.
O celular e os impasses da delação
O mesmo dispositivo já havia gerado ruído nas negociações de colaboração premiada. A nova investigação parte de mensagens recuperadas nesse aparelho — o mesmo que, quando periciado, revelou um conteúdo considerado insuficiente pela PF e pela PGR para fechar acordo de delação com Vorcaro.
A convocação de Lima para novo depoimento indica que a PF busca consolidar o caminho que ligou o banqueiro ao BRB antes do colapso do Master. A proximidade de Lima com nomes do PT baiano permanece como pano de fundo sensível nas investigações.
