A Polícia Federal prendeu temporariamente Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário Daniel Vorcaro, em nova fase da Operação Compliance Zero deflagrada nesta quinta-feira (7). A investigação apura fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
O senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) também está entre os alvos: a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços dele em Brasília e no Piauí. O parlamentar não respondeu aos contatos da imprensa.
Dez mandados e um preso em quatro estados
A nova fase mobilizou agentes da PF no Piauí, em São Paulo, em Minas Gerais e no Distrito Federal. Foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária, todos expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.
Felipe Cançado Vorcaro foi detido em Minas Gerais. Além da prisão temporária, a decisão judicial autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores estimados em R$ 18,85 milhões — montante que se soma aos bloqueios acumulados nas fases anteriores da investigação.
Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF. Em decisão anterior, o ministro descreveu o esquema como uma engrenagem ilícita voltada à fabricação e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB — entendimento que balizou o julgamento das prisões do caso no plenário virtual do STF.
Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e senador pelo Piauí, não figurou como alvo de prisão nesta fase, mas teve endereços vasculhados pela PF em Brasília e em seu estado natal. Ele não respondeu aos pedidos de manifestação até o momento desta publicação.
Escalada investigativa e delação rejeitada
A Compliance Zero acumula resultados expressivos desde o início das investigações. Em fase anterior, a operação havia prendido o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, com R$ 22 bilhões bloqueados ao longo das três fases precedentes — o que faz da detenção de Felipe Cançado Vorcaro mais um elo no cerco à suposta estrutura fraudulenta.
A prisão desta quinta ocorre um dia após um revés para Daniel Vorcaro nas negociações com o Ministério Público. A PF e a PGR rejeitaram a proposta inicial de delação premiada do empresário, considerada insuficiente e sem novidades relevantes para o andamento das investigações. A exigência por mais dados indica que os investigadores acreditam dispor de provas mais robustas do que as oferecidas pelo dono do Master.
A reportagem está em atualização.
