A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, apresentou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República uma nova versão de sua delação premiada na última segunda-feira (1º), com um adendo entregue no dia seguinte.
A reunião prevista para esta quarta-feira (3) foi cancelada: investigadores pediram mais tempo para analisar o documento revisado.
Enquanto as tratativas avançam aos trancos, a perícia inicial de parte dos mais de oito celulares apreendidos com o banqueiro já revelou que o esquema vai muito além de fraudes financeiras — envolvendo corrupção, organização criminosa e uso de milícia privada para atacar adversários e acessar dados sigilosos.
A primeira versão da delação havia sido rejeitada pela PF no mês passado. Investigadores reclamavam que o material acrescentava pouco ao que a própria corporação já havia levantado — e que Vorcaro parecia agir para proteger pessoas próximas, em vez de colaborar de fato.
A nova versão foi apresentada na segunda (1º) e seguida de um adendo na terça (2). A reunião desta quarta foi cancelada porque os investigadores precisavam de mais tempo para examinar os documentos revisados.
A complexidade do caso fica clara no que a perícia encontrou por conta própria: corrupção, organização criminosa e milícia privada usada para atacar adversários e acessar dados sigilosos — um escopo muito além das fraudes financeiras inicialmente investigadas.
No início de maio, quando a defesa entregou à PF e à PGR os anexos da delação em um pen drive, investigadores já avaliavam se o material tinha consistência suficiente para avançar — a rejeição da primeira versão mostrou que a resposta foi não.
A negociação segue sendo conduzida de forma conjunta pela PF e pela PGR. O eixo do acordo é técnico, sem alvos pré-definidos ou exclusões, e gira em torno da devolução de recursos e da eventual comprovação de atos de ofício de autoridades citadas.
R$ 60 bilhões na mesa e exigência de refazer o roteiro
Em 22 de maio, interlocutores do banqueiro afirmaram que Vorcaro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor a ser devolvido como condição para fechar colaboração com a PGR. A própria PF havia rejeitado a proposta anterior, mas a Procuradoria decidiu manter as conversas — e informou que seria necessário refazer integralmente o roteiro da delação. A defesa avalia que há chances de as negociações evoluírem.
A trajetória de Vorcaro atrás das grades acompanha o ritmo dos acordos. Em 19 de março, ele foi transferido da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital — um dia depois de seu advogado manifestar interesse em firmar acordo. No mesmo dia, assinou o termo de confidencialidade.
Depois, a pedido da PF, o banqueiro saiu de uma sala com estilo “Estado-maior” — o mesmo espaço usado para prender o ex-presidente Jair Bolsonaro entre novembro de 2025 e janeiro deste ano — e foi transferido para uma cela comum, passando a se submeter às regras internas da corporação para receber visitas de advogados.
