A Polícia Federal rejeitou pela segunda vez consecutiva a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso em Brasília e investigado por liderar um esquema de fraudes financeiras que pode alcançar R$ 12 bilhões.
Os investigadores avaliam que o material apresentado pela defesa acrescenta pouco ao que a PF já reuniu — e suspeitam que Vorcaro está protegendo pessoas de seu círculo próximo, inviabilizando um acordo efetivo.
O processo de negociação segue aberto, conduzido de forma conjunta com a PF e a Procuradoria-Geral da República.
O que revelaram os celulares apreendidos
A Polícia Federal apreendeu mais de oito celulares de Vorcaro durante as investigações. A perícia inicial de apenas parte dos aparelhos já revelou que o esquema vai muito além das fraudes financeiras: os dados indicam envolvimento com corrupção, organização criminosa e uso de uma milícia privada para atacar adversários e acessar informações sigilosas.
Esse volume de evidências colhido pela própria corporação é, segundo investigadores, um dos motivos pelos quais o material apresentado pela defesa parece insuficiente — a PF já sabe de muito.
Histórico das negociações
Vorcaro foi transferido no dia 19 de março da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da PF, no centro da capital. No dia anterior, seu advogado havia sinalizado interesse em firmar um acordo. Na mesma data da transferência, o banqueiro assinou o termo de confidencialidade.
No início de maio, a defesa finalizou os anexos e entregou o material às autoridades em um pen drive — a PF rejeitou a proposta. Após essa primeira recusa, Vorcaro chegou a elevar o valor a ser devolvido de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões e refez o roteiro, mas o material ainda não convenceu os investigadores, resultando na segunda rejeição agora confirmada.
Com a segunda rejeição, a estratégia da defesa jurídica de Vorcaro segue sob pressão crescente. O criminalista especializado em acordos de colaboração premiada saiu da equipe logo após a primeira recusa da PF, em maio, deixando a negociação sem um de seus principais articuladores.
Da sala VIP à cela comum
A situação de Vorcaro dentro da PF também mudou de patamar. No mês passado, a pedido da própria corporação, ele foi transferido de uma sala no estilo de “Estado-maior” — o mesmo espaço onde o ex-presidente Jair Bolsonaro ficou detido entre novembro de 2025 e janeiro deste ano — para uma cela comum na Superintendência, passando a se submeter às regras internas da PF, inclusive para receber visitas dos advogados.
O endurecimento das condições de detenção é lido como sinal de que a paciência dos investigadores tem limite. À medida que as propostas de delação são rejeitadas e novos flancos do esquema emergem das perícias, a margem de manobra do banqueiro dentro das negociações tende a se estreitar.
