O governo federal já repassou R$ 5,7 bilhões de dinheiro esquecido em bancos ao Fundo de Garantia de Operações (FGO), que vai financiar as renegociações do Desenrola 2.0. Ainda assim, quase R$ 4,9 bilhões permanecem disponíveis para resgate.
O Banco Central registrou R$ 10,6 bilhões esquecidos em março. Com a transferência ao fundo público, o saldo recuperável encolheu — mas ainda está distribuído entre 45,3 milhões de pessoas físicas e cerca de 5 milhões de empresas.
Para recuperar os valores, o único canal oficial é o site do Banco Central: valoresareceber.bcb.gov.br. O acesso exige CPF, senha e um código gerado no aplicativo gov.br — que requer download e validação facial para funcionar.
Os valores só são liberados para quem fornecer uma chave PIX. Sem chave cadastrada, é preciso contatar a instituição financeira diretamente para combinar outra forma de recebimento, ou criar uma chave e retornar ao sistema.
O que acontece com o dinheiro transferido ao FGO
O Ministério da Fazenda confirmou que publicará um edital de chamamento público para correntistas que queiram contestar a transferência. Os bancos tiveram até 12 de maio para repassar os recursos ao FGO, e aquela portaria do Ministério já previa o mecanismo de 30 dias para contestação — o mesmo prazo que o governo agora confirma.
Após o período, os valores não contestados serão incorporados definitivamente ao FGO. A Fazenda defende que os recursos, antes retidos nas tesourarias dos bancos, passarão a gerar benefícios para todo o sistema financeiro, em especial para as famílias que renegociarem suas dívidas no Desenrola 2.0.
Quando o governo anunciou o redirecionamento ao FGO, no início de maio, a estimativa era usar entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões dos valores esquecidos como garantia ao programa — o montante de R$ 5,7 bilhões transferido confirma que a meta foi atingida.
Desde maio do ano passado, o Banco Central permite que qualquer cliente habilite uma solicitação automática de resgate de valores a receber. A adesão é voluntária e pode ser ativada no próprio sistema.
Em fevereiro deste ano, o BC reforçou a segurança do Sistema Valores a Receber para coibir fraudes, passando a exigir validação facial pelo aplicativo gov.br como etapa obrigatória no processo de acesso.
Como consultar valores de pessoas falecidas
Herdeiros, testamentários, inventariantes e representantes legais podem consultar valores a receber de pessoas falecidas no mesmo sistema do Banco Central. É obrigatório o preenchimento de um termo de responsabilidade.
Em todos os casos, após identificar valores disponíveis, o próximo passo é entrar em contato com a instituição financeira responsável para verificar os procedimentos específicos de devolução.
