A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal chegou a dois votos pela manutenção das prisões de Henrique Vorcaro e Felipe Cançado Vorcaro neste sábado (23). O ministro Luiz Fux acompanhou o relator André Mendonça, que já havia votado na sexta-feira (22).
O julgamento no plenário virtual foi suspenso após o ministro Gilmar Mendes pedir vista — prazo que pode se estender por até 90 dias. Ainda faltam os votos de Nunes Marques e Dias Toffoli, que se declarou suspeito desde que deixou a relatoria do caso Master em fevereiro.
Pai e primo do banqueiro Daniel Vorcaro, os dois investigados estão presos no âmbito da Operação Compliance Zero. Felipe Cançado Vorcaro havia sido detido em 7 de maio na 5ª fase da operação, quando a Polícia Federal também cumpriu mandados em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. Já Henrique Vorcaro foi preso em 14 de maio durante a 6ª fase, quando a PF cumpriu sete mandados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Na semana anterior ao julgamento, Mendonça já havia convertido a prisão de Felipe de temporária para preventiva, argumentando que o investigado manteve práticas ilícitas mesmo após as fases ostensivas da operação.
Por que Mendonça votou pela manutenção
No voto, o relator destacou que a prisão de Felipe é necessária para garantir a ordem pública e evitar a continuidade dos crimes. Segundo Mendonça, após a detenção de Daniel Vorcaro, Felipe assumiu o protagonismo da organização criminosa.
Relatórios de inteligência financeira do Coaf apontaram movimentações que totalizam aproximadamente R$ 18,4 bilhões entre 2019 e 2026, com Felipe como beneficiário central de fluxos vinculados a Daniel. Em abril de 2026, ele teria participado da criação da Infrasolar Holding Ltda. — empresa com capital social de apenas R$ 1 mil que realizou uma operação financeira de mais de R$ 132 milhões poucos dias após sua constituição.
Sobre Henrique Vorcaro, Mendonça rejeitou o argumento da defesa de que as tratativas envolvendo dinheiro diziam respeito a uma negociação comercial legítima.
Com o pedido de vista de Gilmar Mendes, a decisão final sobre as prisões pode ser postergada por até 90 dias. A Segunda Turma conta com cinco ministros, mas Toffoli está fora desde que se declarou suspeito ao deixar a relatoria do caso Master em fevereiro — o que limita o colegiado a quatro votantes efetivos.
Quem ainda precisa votar
Com dois votos favoráveis à manutenção — Mendonça e Fux — e Toffoli impedido, o posicionamento do ministro Nunes Marques pode ser determinante. Se Nunes acompanhar os dois, as prisões seriam mantidas por 3 a 0 independentemente do voto de Gilmar após o término do prazo de vista.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema financeiro de grande escala ligado ao Banco Master. As investigações miram o núcleo financeiro-operacional da organização, com movimentações bilionárias identificadas em relatórios do Coaf e atribuídas a operadores próximos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
