O presidente Lula confirmou nesta sexta-feira (22) que se reunirá na segunda-feira (25) com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para discutir o fim da escala 6×1.
Na mesma data, o relator da PEC, deputado Léo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar seu parecer sobre a proposta na comissão especial.
Em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula foi categórico: é contra qualquer período de transição. “É brincar de fazer redução”, declarou o petista.
A PEC tramita na comissão especial da Câmara com dois pontos já pacificados: redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial e garantia de dois dias de descanso remunerado. O que ainda divide o governo, os parlamentares e o setor produtivo é a duração — ou a existência — de um período de transição.
O parecer de Léo Prates foi adiado da última quarta (20) para a segunda (25) exatamente pela falta de consenso sobre o período de transição — o mesmo ponto que Lula quer superar de uma vez. O plano é votar o texto na comissão especial ainda na próxima semana e, em seguida, no plenário da Câmara. Se aprovada, a proposta segue ao Senado.
Articulação e PL paralelo
Durante a semana, Motta afirmou que pontos do texto ainda estão sendo negociados com o governo e as bancadas e que receberia representantes do setor produtivo para conduzir a pauta “com equilíbrio”. A movimentação não é nova: há duas semanas o Planalto já havia mobilizado ministros em série para convencer a comissão especial, em estratégia coordenada entre governo e Câmara.
Paralelamente à PEC, o Executivo apresentou um projeto de lei — instrumento que não altera a Constituição — com os mesmos objetivos: jornada máxima de 40 horas semanais e escala de cinco dias com dois de descanso remunerado. Prates sinalizou que a análise pode ser dividida entre os dois instrumentos, mas não confirmou se serão votados simultaneamente.
Representantes do setor produtivo resistem à medida por avaliar que ela eleva custos dos empregadores e reduz a competitividade das empresas. Economistas defendem que o debate precisa vir acompanhado de discussões sobre produtividade — com foco em qualificação profissional, inovação e melhorias em infraestrutura e logística.
Na mesma entrevista ao Sem Censura, Lula fez um apelo público ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar a votação da PEC da Segurança Pública. A proposta foi aprovada pela Câmara em março e está parada no Senado desde então.
“Faço até um apelo ao presidente Alcolumbre: coloque para votar a PEC da segurança que esse país vai resolver definitivamente o problema de segurança”, disse Lula. O petista voltou a condicionar a criação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da proposta pelos senadores: “Se essa PEC for aprovada no Senado, 15 dias depois eu crio o Ministério”, afirmou.
Lula e Trump: respeito mútuo nas coxias
O presidente também revelou bastidores de seu encontro com Donald Trump na Malásia. Preocupado com uma possível cena constrangedora — como as vividas por Ramaphosa, da África do Sul, e por Zelensky, da Ucrânia —, Lula pediu que a imprensa só fosse chamada após uma conversa reservada entre os dois líderes.
“Primeiro vamos conversar, depois a gente fala com a imprensa”, contou Lula. O petista definiu o clima como o de “dois homens de 80 anos” responsáveis perante suas democracias. “Ele me trata com muito respeito. E eu trato com muito respeito”, afirmou.
