O governo federal vai liberar mais de R$ 16 bilhões do FGTS na próxima semana em duas frentes distintas: saques diretos para trabalhadores demitidos e crédito para abatimento de dívidas no Desenrola 2.0.
A medida atende mais de 10,5 milhões de trabalhadores que aderiram ao saque-aniversário e foram demitidos sem justa causa entre 2020 e 2025 — grupo que ficou com o saldo do fundo bloqueado para retirada imediata pelas regras do mecanismo.
O anúncio foi feito pelo Ministério do Trabalho e integra o esforço do governo Lula para reduzir o endividamento das famílias brasileiras.
Como funcionam as duas liberações
Dos R$ 16 bilhões anunciados, R$ 8,4 bilhões serão depositados diretamente nas contas correntes dos trabalhadores elegíveis — sem necessidade de solicitação. Essa é a segunda liberação extraordinária do tipo: a primeira ocorreu no início de 2025.
Antes de realizar o saque, vale atenção: o Ministério do Trabalho já havia confirmado em 14 de maio que os R$ 8,4 bilhões estariam disponíveis a partir de 26 de maio — com um aviso importante: antes do dia 25, o valor sumirá temporariamente do saldo visível na conta do FGTS por conta do processamento interno.
A segunda frente envolve até R$ 8,2 bilhões disponíveis como garantia no Desenrola 2.0. Pelas regras, o trabalhador pode usar até 20% do seu saldo disponível no FGTS — ou até R$ 1 mil, o que for maior — para quitar ou amortizar dívidas bancárias. O volume disponível via FGTS mais que dobrou desde o anúncio original de abril, quando o governo havia sinalizado apenas R$ 4,5 bilhões.
Por que o saldo estava bloqueado
Quem adere ao saque-aniversário do FGTS pode retirar uma parcela anual do fundo, mas perde o direito ao saldo integral em caso de demissão sem justa causa. Na rescisão, só é possível sacar a multa rescisória de 40% — o restante fica retido, salvo em situações previstas em lei, como aposentadoria, doença grave ou compra da casa própria.
A medida provisória publicada pelo governo autorizou a liberação extraordinária desse saldo retido especificamente para o grupo demitido entre 2020 e 2025. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que a medida não compromete a sustentabilidade dos recursos do FGTS destinados a obras de habitação e infraestrutura.
Desenrola 2.0: regras e público-alvo
Lançado no início de maio, o Desenrola 2.0 tem como público-alvo brasileiros com renda de até cinco salários mínimos — R$ 8.105 mensais. A expectativa do governo é renegociar até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas, divididas em quatro categorias de atendimento.
São elegíveis dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), conforme anunciado pelo presidente Lula. Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos que variam de 30% a 90% no valor principal — a depender da linha de crédito e do prazo negociado. Uma calculadora será disponibilizada para que os trabalhadores simulem o desconto antes de aderir.
Quando o Desenrola 2.0 foi lançado em 4 de maio, o governo fez questão de frisar uma distinção relevante: o FGTS poderá ser usado tanto para quitar quanto para amortizar dívidas — detalhe que favorece trabalhadores com saldo menor no fundo.
Para bancar as garantias às instituições financeiras, o governo busca entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos, além de um aporte próprio de até R$ 5 bilhões. Uma das condições do programa: quem aderir ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. O programa também prevê o perdão de dívidas bancárias de até R$ 100.
