O Desenrola 2.0 já beneficiou mais de um milhão de brasileiros desde seu lançamento, em maio. O balanço foi divulgado nesta quinta-feira (21) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Somando dívidas pagas à vista e refinanciadas, o programa movimentou R$ 1,7 bilhão em operações sobre um passivo original de R$ 10 bilhões. No canal do Fies, outros 34 mil contratos foram reestruturados até o dia 19.
Os números do balanço
Foram 449 mil dívidas quitadas à vista com desconto médio de 85%. Do total de R$ 1 bilhão em passivo, os devedores pagaram apenas R$ 154 milhões. No refinanciamento, 685,5 mil dívidas foram renegociadas com o mesmo desconto médio — de R$ 9 bilhões em saldo devedor, formalizaram-se R$ 1,3 bilhão nas novas condições, com juros limitados a 1,99% ao mês.
O ritmo de adesão surpreende desde as primeiras semanas. Em menos de uma semana de operação, o programa já acumulava quase R$ 1 bilhão em renegociações — patamar superado com folga no balanço desta quinta-feira.
Fies e as modalidades elegíveis
No canal voltado ao ensino superior, 34 mil contratos foram refinanciados até 19 de maio. O valor original era de R$ 2 bilhões; com desconto médio de 80%, as operações totalizam R$ 410 milhões. O canal do Fies foi aberto em 13 de maio e, em menos de dez dias, já somava esse volume de adesões.
O programa aceita dívidas de cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e Fies. Os descontos variam de 30% a 90% sobre o valor principal, conforme a modalidade e o prazo escolhido.
Fundo público e restrição a apostas
Para viabilizar os descontos, o governo criará um fundo com recursos públicos para cobrir eventual inadimplência dos beneficiários. A expectativa é reunir entre R$ 5 bilhões e R$ 8 bilhões em valores esquecidos pelos trabalhadores nos bancos, além de um novo aporte de até R$ 5 bilhões do Tesouro Nacional.
Quem aderir ao programa ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online — condição apresentada pelo governo como proteção ao orçamento dos beneficiários endividados.
O tamanho do problema que motivou o Desenrola 2.0 é expressivo: no fim de 2024, 117 milhões de brasileiros tinham alguma dívida com instituições financeiras, segundo o Banco Central — o equivalente a mais da metade da população do país.
