A Democracia Cristã abriu um processo disciplinar contra o ex-ministro Aldo Rebelo que resultará em sua expulsão sumária do partido.
O pivô da crise é a decisão da direção nacional do DC de substituir Rebelo pelo ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República em 2026.
Rebelo, filiado recentemente à sigla, reagiu atacando publicamente a cúpula do partido na imprensa — o estopim formal para a abertura do procedimento disciplinar.
O racha e a nota oficial
Em nota, a Direção Nacional da Democracia Cristã afirmou ter esgotado diversas tentativas de resolução harmoniosa antes de agir — todas frustradas pela reiterada intransigência do ex-ministro. O partido comunicará a desfiliação à Justiça Eleitoral assim que a expulsão for consumada.
Quatro dias antes da abertura do processo, o DC já havia confirmado publicamente Joaquim Barbosa como pré-candidato ao Planalto — e Rebelo havia declarado que manteria sua candidatura mesmo que tivesse que judicializar a questão. Leia mais sobre a confirmação de Barbosa e a primeira reação de Rebelo.
A legenda acusou o ex-deputado de adotar postura incompatível com os valores, os princípios e o estatuto do partido, e listou comportamentos como ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância.
Rebelo mantém candidatura — mas enfrenta obstáculo eleitoral
Em resposta, Rebelo foi categórico: disse que sua pré-candidatura está mantida conforme o convite e o compromisso firmados com a direção nacional do DC. Classificou a candidatura de Barbosa como um balão de ensaio e uma afronta à transparência e às decisões democráticas.
Há, porém, um obstáculo jurídico considerável. A Lei Eleitoral determina que um candidato à Presidência precisa estar filiado a um partido há pelo menos seis meses antes do pleito para ter a candidatura homologada. Com a expulsão do DC, Rebelo precisaria se filiar a outra legenda dentro do prazo legal para manter a viabilidade da candidatura.
A ironia do episódio é difícil de ignorar: a pré-candidatura que o DC quer extinguir defendia justamente mudanças para limitar o poder do STF — tribunal que Rebelo chegou a chamar de obstáculo ao desenvolvimento durante sua pré-campanha. Veja a proposta de Rebelo sobre o STF. É um ex-integrante dessa mesma Corte que o partido escolheu para ocupar seu lugar.
