O presidente da China, Xi Jinping, recebeu Donald Trump em Pequim nesta quinta-feira (14) e defendeu que os dois países devem ser “parceiros, não rivais” — em um momento que classificou como de “encruzilhada” para o mundo.
Em discurso de abertura, Xi disse que China e Estados Unidos têm mais interesses em comum do que diferenças, e propôs que as duas potências construam juntas um futuro positivo para a humanidade.
Trump chamou o encontro de “uma honra” e afirmou que a relação bilateral será “melhor do que nunca”.
Parceria no discurso, tensão na agenda
A cúpula desta semana é o segundo encontro presencial entre os dois líderes em menos de um ano. Em outubro de 2025, Trump e Xi haviam anunciado acordos e pausado a guerra tarifária que vinha afetando o comércio bilateral.
Desta vez, porém, a reunião ocorre em contexto mais carregado. A guerra no Irã — ainda em curso apesar do cessar-fogo no Oriente Médio — serve de pano de fundo, com Trump ameaçando novos ataques diante da falta de acordo definitivo.
A cúpula chegou carregada de temas explosivos: em novembro de 2025, Trump acusou Pequim de testar armas nucleares em segredo. A acusação foi reforçada por um subsecretário americano em fevereiro deste ano, semanas antes do início da guerra no Irã.
Taiwan também está no centro das tensões estruturais. A China considera a ilha parte de seu território, enquanto os Estados Unidos atuam para garantir a autonomia da região — um ponto de atrito que não desaparece da agenda bilateral.
IA e tarifas dominam a pauta econômica e tecnológica
Além das tensões geopolíticas, Trump e Xi também devem avançar em temas econômicos e tecnológicos. A inteligência artificial é um dos pontos mais sensíveis: assessores do governo americano demonstraram preocupação com o avanço de modelos desenvolvidos na China, e a avaliação é que os dois países precisam criar um canal de comunicação para evitar conflitos nessa área.
No campo comercial, negociadores haviam identificado cerca de US$ 30 bilhões em produtos para redução tarifária recíproca e discutiam a criação de um Conselho de Comércio bilateral — dando números concretos à conversa que Trump e Xi retomam agora em Pequim.
A trégua tarifária firmada em outubro de 2025 ainda vigora, mas o encontro desta semana pode definir se a pausa se transforma em acordo duradouro — ou se uma nova rodada de tensões está por vir.
