O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (18) que suspendeu um ataque militar contra o Irã previsto para esta terça (19). A decisão foi revelada em rede social após conversas com três líderes do Golfo Pérsico.
Segundo Trump, o emir do Catar, o príncipe herdeiro da Arábia Saudita e o presidente dos Emirados Árabes Unidos pediram a suspensão da operação e afirmaram acreditar que um acordo “muito aceitável” ainda pode ser alcançado nas negociações em andamento.
Em sua publicação, Trump detalhou que instruiu o secretário da Guerra, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Daniel Caine, a cancelar a operação. “Com base no meu respeito pelos líderes mencionados acima, instruí […] as Forças Armadas dos Estados Unidos de que NÃO realizaremos o ataque programado contra o Irã amanhã”, escreveu o presidente.
Trump acrescentou que ordenou as Forças Armadas a permanecerem de prontidão para uma “ofensiva total e em larga escala” a qualquer momento, caso o impasse diplomático não seja superado.
A decisão de suspender o ataque ocorre em meio a um impasse que já dura dias: na semana passada, Trump havia rejeitado uma proposta de paz iraniana por considerá-la insuficiente para um acordo definitivo. O bloqueio nas conversas já havia pressionado o mercado de petróleo, que voltou a subir com o impasse em torno do Estreito de Ormuz.
O governo iraniano não revelou os detalhes da nova proposta enviada. O site americano Axios informou que a Casa Branca avaliou o texto como insuficiente, sem representar avanço significativo para um acordo definitivo de paz.
A urgência do momento ficou evidente em declaração de uma fonte do governo do Paquistão à Reuters: EUA e Irã estariam “mudando as regras do jogo” nas negociações, e “não há mais muito tempo” antes de um eventual colapso definitivo das conversas.
Não é a primeira vez que Trump suspende uma ação militar para abrir espaço à diplomacia. Em episódio anterior, ele havia interrompido a Operação Liberdade após pedido do Paquistão — movimento que levou o Irã a declarar o Estreito de Ormuz liberado. O padrão de avanços e recuos se repete, mas o prazo para um desfecho parece encolher a cada rodada.
Paralelamente, a emissora estatal israelense Kan informou na semana passada que Israel já havia dado sinal verde para retomar a guerra contra o Irã, aguardando apenas uma decisão de Trump. O aval de Tel Aviv amplifica as pressões sobre o presidente americano, que precisa equilibrar a diplomacia árabe com os compromissos assumidos com um aliado histórico.
