Política

Escrivães da PF usavam celulares em nome de mortos para ocultar rastros

Linhas cadastradas em nome de falecidos sem vínculo com a corporação; PF classifica prática como 'padrão de ocultação'
Fraude na Polícia Federal: PF celular usado em nome de morto para ocultação de rastros

A Polícia Federal revelou nesta sexta-feira (15) que dois escrivães da corporação usavam celulares clandestinos — chamados de “aparelhos bomba” — registrados em nome de mortos para blindar suas comunicações na trama investigada pela Operação Sem Refino.

Márcio Pereira Pinto e Márcio Cordeiro Gonçalves, lotados na delegacia de Nova Iguaçu (RJ), operavam uma conta de WhatsApp identificada como “Márcio PF Bombinha”, com linha cadastrada em nome de Anísio da Silva Antônio, falecido em 2021 e sem vínculo com a PF.

Segunda linha também registrada em nome de falecido

A investigação apontou ainda uma segunda linha usada no esquema, cadastrada em nome de Cosme Gomes da Silva, igualmente falecido. Para a PF, a repetição do artifício caracteriza um “padrão de ocultação” deliberado — não uma coincidência.

A conta clandestina manteve contato frequente com o advogado Roberto Fernandes Dima, o Beto Dima, apontado como sócio de empresas ligadas ao conglomerado de Ricardo Magro, dono da Refit. Os autos registram ligações e mensagens trocadas entre eles em outubro de 2025.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que autorizou a operação, cita ainda interações do aparelho com o delegado Ricardo de Carvalho, candidato a deputado estadual em 2022. A conta participava de um grupo de WhatsApp chamado “15.000 voltou!”, referência ao número de urna do delegado naquela eleição.

Acesso rastreado pela rede interna da PF

Um dos acessos à conta investigada foi feito por meio de um IP vinculado à rede interna da própria Polícia Federal. A análise técnica associou a conexão ao login funcional de Márcio Cordeiro Gonçalves, um dos escrivães investigados.

Ricardo Magro, dono da Refit, teve a prisão preventiva decretada pelo STF na mesma manhã em que a PF expôs o esquema de celulares cadastrados em nome de mortos usados por seus interlocutores para escapar do rastreio.

A Operação Sem Refino foi deflagrada nesta sexta-feira (15) para investigar fraudes fiscais ligadas à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos e um dos maiores grupos devedores de impostos do país. Além dos escrivães, estão entre os alvos Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro, aliado do senador Ciro Nogueira (PP), o empresário Ricardo Magro e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

Jonathas Castro também é investigado por ter recebido R$ 1,3 milhão do Grupo Refit via empresa de passagem, segundo apuração do Tropiquim — dado que amplia o quadro de suspeitas sobre o fluxo de recursos no esquema.

A investigação aponta ainda que o intermediário Álvaro Barcha adotava um método próprio para proteger comunicações: usava um segundo celular para fotografar telas e documentos exibidos em outro aparelho durante tratativas classificadas como “sensíveis” pela PF.

O recurso a linhas clandestinas para escapar do rastreio não é prática isolada no radar do STF: um dia antes da operação, o pai do banqueiro Daniel Vorcaro foi preso usando número registrado na Colômbia com o mesmo objetivo — prática associada pelo Supremo a estruturas criminosas sofisticadas.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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