A Polícia Federal apontou que Jonathas Castro, secretário-executivo da Casa Civil na gestão Bolsonaro e número dois de Ciro Nogueira, teria recebido R$ 1,3 milhão do Grupo Refit em março de 2025 por meio de uma empresa de consultoria usada como passagem.
A revelação consta na decisão do ministro Alexandre de Moraes que deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino — ação que também resultou na prisão preventiva de Ricardo Magro, dono da Refit, e em buscas na residência do ex-governador do Rio, Cláudio Castro.
A empresa de passagem
A PF identificou que os repasses chegavam à Sary Consultoria e Participações LTDA, empresa da qual Jonathas é único sócio, e eram imediatamente transferidos à sua conta pessoal. O mecanismo é descrito no inquérito como característico de uma “empresa de passagem”: sem folha de pagamento, sem estrutura administrativa relevante e sem despesas operacionais.
Entre 17 e 31 de março de 2025, R$ 765.698,09 entraram diretamente da Refit na conta da Sary. O restante — que elevou a movimentação mensal a R$ 1.320.000,00 — partiu de outras empresas do grupo de Ricardo Magro: Fera Lubrificantes, Flager e Roar Inovações.
Jonathas exercia o cargo de secretário-executivo — equivalente a vice-ministro — na Casa Civil chefiada por Ciro Nogueira no governo Jair Bolsonaro. O senador piauiense já era alvo do STF: semanas antes, quatro empresas ligadas a Ciro Nogueira tiveram atividades suspensas por suspeita de servirem como biombo para repasses mensais milionários de Daniel Vorcaro.
Horas antes da revelação dos repasses ao ex-secretário, o STF havia decretado a prisão preventiva de Ricardo Magro e solicitado sua inclusão na Difusão Vermelha da Interpol — mecanismo que permite a captura do empresário em qualquer país membro e sua extradição ao Brasil. Magro não retorna oficialmente ao Brasil desde 2018 e vive em Miami há mais de uma década.
Um esquema de R$ 52 bilhões
Segundo a investigação, Ricardo Magro liderava uma organização criminosa responsável por prejuízo superior a R$ 52 bilhões aos cofres públicos, principalmente em ICMS não recolhido no Rio de Janeiro e em São Paulo. O grupo operava por meio de empresas de fachada, holdings e offshores em paraísos fiscais — Delaware, Bahamas e Malta — para lavar dinheiro e blindar patrimônio contra execuções judiciais.
A PF também apontou a cooptação de agentes públicos em órgãos como a Secretaria de Fazenda do RJ, ANP, Receita Federal, Procuradoria do Estado e membros do Judiciário para garantir benefícios fiscais e barrar concorrentes.
A Operação Sem Refino não se limitou à esfera federal: a PF cumpriu mandados de busca e apreensão na residência do ex-governador Cláudio Castro, apontado como peça-chave na cooptação do aparato estadual do Rio de Janeiro em favor da refinaria de Duque de Caxias.
Magro, advogado paulistano de 51 anos com pós-graduação em direito tributário, controla a antiga Refinaria de Manguinhos — hoje Refit — desde 2008. Historicamente, atribui as investigações a uma perseguição promovida por grandes grupos do setor, chegando a acusar a Cosan de articular campanhas contra ele por meio do Instituto Combustível Legal.
