Um policial federal aposentado continuou recebendo informações sigilosas vazadas ilegalmente mesmo após ser preso. O caso é de Marilson Roseno da Silva, alvo de nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (14).
A revelação consta na decisão do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, e expõe como a rede criminosa preservou sua capacidade operacional mesmo com um de seus principais elos sob custódia.
Segundo a Polícia Federal, Marilson não era um simples integrante da organização: ele “recebia ordens do núcleo central e coordenava sua execução, atuando como principal elo entre mandantes e executores em atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de informações sigilosas”, conforme trecho da decisão do STF.
A fonte dessas informações estava dentro da própria corporação. Uma delegada e policiais federais — ativos e aposentados — faziam consultas indevidas no sistema e-Pol para repassar dados confidenciais ao operador. Essa estrutura foi detalhada pelo Tropiquim na cobertura da mesma operação.
Coordenação a partir da cela
O fato de Marilson continuar operativo enquanto preso reforça a avaliação da PF sobre seu papel no esquema: o de um coordenador capaz de manter o fluxo de dados sigilosos mesmo sob restrição de liberdade. A prisão, ao que indica a investigação, não foi suficiente para interromper sua atuação na rede.
A continuidade das atividades de Marilson mesmo preso se encaixa num padrão documentado pela investigação. Mesmo após as fases anteriores da Compliance Zero, Henrique Vorcaro mantinha repasses mensais de R$ 400 mil para sustentar “A Turma” e seguia exigindo informações confidenciais — o que sugere que a prisão de operadores não chegou a desarticular o núcleo do esquema.
A Operação Compliance Zero investiga uma rede suspeita de proteger interesses ligados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. O STF concentra as investigações do Caso Master, com André Mendonça como relator. A nova fase desta quinta-feira amplia o cerco sobre uma estrutura que, segundo as investigações, operou de forma ativa mesmo com integrantes detidos e sob processo judicial.
