A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, desempenhava papel central na organização criminosa investigada na Operação Compliance Zero, ligada a suspeitas de fraudes no Banco Master.
Preso nesta quinta-feira (14) na 6ª fase da operação, ele é acusado de ter mantido repasses de R$ 400 mil a um grupo envolvido em ações violentas e invasão de sistemas sigilosos.
Repasses continuaram mesmo após as primeiras fases da operação
A investigação aponta que Henrique Vorcaro manteve os pagamentos ao grupo criminoso mesmo após as deflagrações de novembro de 2025 e de janeiro de 2026 — fases iniciais da Compliance Zero. Para a PF, essa continuidade demonstra que ele tinha pleno conhecimento do esquema e permaneceu ativo nele.
As provas foram obtidas no celular de Marilson Roseno, apontado como integrante do grupo e preso na terceira fase da operação. Os registros indicam que o pai do banqueiro não apenas financiava o grupo, mas também acionava diretamente seus integrantes.
Uma semana antes desta fase, a PF havia prendido Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, na 5ª fase da mesma operação — evidenciando o cerco progressivo ao entorno familiar do banqueiro.
Os grupos que formavam o braço operacional do esquema
A 6ª fase da Compliance Zero tem como alvos integrantes ligados a Luiz Phillipi Mourão, identificado pela PF com o apelido de “Sicário” de Vorcaro. Os grupos denominados “A Turma” e “Os Meninos” seriam a estrutura paralela de vigilância e intimidação supostamente comandada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
A mesma operação revelou em detalhes como funcionavam esses grupos — o braço operacional de espionagem e coerção da organização criminosa.
Para a Polícia Federal, o conjunto das condutas aponta para uma infiltração sistemática em “circuitos informacionais sensíveis”, com uso de pessoas próximas ou funcionalmente habilitadas para fazer circular recursos financeiros e dados sigilosos em benefício do esquema.
