O pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, foi preso em Brasília nesta quinta-feira (14) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, operação supervisionada pelo STF para investigar fraudes ligadas ao Banco Master.
Para dificultar o rastreio, Henrique usava um número registrado na Colômbia e trocava de aparelho com frequência — práticas documentadas na decisão judicial que embasou sua detenção.
A ordem de prisão foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator da Compliance Zero no Judiciário. Na decisão, ele descreve que os métodos de comunicação de Henrique seguiam um “padrão de ocultação e precaução normalmente associado a estruturas criminosas sofisticadas”.
Dois núcleos, uma rede clandestina
A estrutura com a qual Henrique se comunicava pelos números clandestinos era dividida em dois grupos: “A Turma”, dedicada a intimidações e monitoramento, e “Os Meninos”, especializado em ataques cibernéticos e invasões telemáticas.
“A Turma” era liderada por Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado. Segundo a decisão, ele recebia ordens do núcleo central da organização e coordenava atividades de monitoramento, intimidação e obtenção de informações sigilosas — operando como elo entre mandantes e executores.
O uso de números internacionais não era exclusividade de Henrique. Sebastião Monteiro Júnior, também policial federal aposentado e investigado na operação, usava um número registrado nos Estados Unidos com o mesmo objetivo: escapar do rastreio das comunicações.
Os números clandestinos serviam a um esquema que, segundo apurou o Tropiquim, incluía repasses mensais de R$ 400 mil para sustentar “A Turma” — liderada pelo próprio Marilson — mesmo após as primeiras fases da Compliance Zero.
Defesa critica prisão como desnecessária
Em nota, os advogados de Henrique classificaram a detenção como “medida grave e desnecessária” e afirmaram que a decisão se baseia em fatos “cuja comprovação da respectiva licitude e o lastro de racionalidade econômica ainda não estão no processo”.
Segundo a defesa, as explicações do investigado não foram solicitadas antes da decretação da prisão. “Cuidaremos imediatamente de demonstrar o que estamos a dizer ainda hoje”, diz o comunicado.
Esta é a 6ª fase da Compliance Zero, que investiga Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por fraudes financeiras ligadas à instituição.
