O desemprego subiu em 15 estados brasileiros no primeiro trimestre de 2026, segundo a Pnad Contínua, divulgada nesta quinta-feira (14) pelo IBGE. A taxa nacional ficou em 6,1%.
O Ceará registrou o maior avanço trimestral, de 2,3 pontos percentuais. O Amapá liderou as piores taxas absolutas, com 10,0% de desocupação. Santa Catarina, na outra ponta, atingiu apenas 2,7%.
Entre os estados com maiores taxas de desocupação, o Amapá liderou com 10,0%, seguido por Alagoas, Bahia e Pernambuco, todos com 9,2%, e o Piauí com 8,9%. No extremo oposto, além de Santa Catarina (2,7%), aparecem Mato Grosso (3,1%), Espírito Santo (3,2%), Paraná (3,5%) e Rondônia (3,7%).
Nordeste e Norte concentram as maiores altas trimestrais
Comparado ao trimestre imediatamente anterior, o Ceará registrou o maior salto: 2,3 pontos percentuais. Acre (1,8 p.p.) e Tocantins (1,6 p.p.) completam o grupo das maiores variações. Os menores aumentos ocorreram em Rondônia (1,1 p.p.), Espírito Santo (0,8 p.p.) e Santa Catarina (0,5 p.p.). Nos demais estados, a taxa permaneceu estável.
A taxa nacional de 6,1% já havia sido apontada pelo IBGE como o menor nível histórico para um primeiro trimestre — os dados estaduais agora mostram onde a alta foi mais intensa e quais regiões ainda concentram o problema estrutural.
Desemprego é maior entre mulheres, negros e menos escolarizados
A taxa de desocupação entre as mulheres (7,3%) ficou 2,2 pontos percentuais acima da registrada entre os homens (5,1%). Pelo recorte racial, brancos ficaram abaixo da média nacional (4,9%), enquanto pretos chegaram a 7,6% e pardos, a 6,8%.
A escolaridade também dividiu o mercado: pessoas com ensino médio incompleto registraram desocupação de 10,8%, contra 3,7% entre quem concluiu o ensino superior — diferença de quase três vezes.
O desempenho do período foi contraditório: março fechou com 228 mil vagas formais criadas — quase o triplo do resultado de 2025 —, mas o saldo não foi suficiente para conter a alta do desemprego em 15 estados ao longo do trimestre.
Subutilização e desalento seguem concentrados no Norte e Nordeste
A taxa de subutilização da força de trabalho — que engloba desempregados, subocupados por insuficiência de horas e quem desistiu de procurar emprego — alcançou 14,3% no primeiro trimestre. Piauí (30,4%), Bahia (26,3%) e Alagoas (26,1%) registraram os maiores índices. Santa Catarina (4,7%), Mato Grosso (6,7%) e Espírito Santo (7,0%) ficaram nas menores posições.
O percentual de desalentados foi de 2,4% da força de trabalho ampliada. Os maiores índices apareceram no Maranhão (10,3%), Alagoas (9,2%) e Piauí (7,6%). Santa Catarina (0,3%), Rio Grande do Sul (0,7%) e Goiás (0,7%) tiveram os menores registros.
Informalidade e vínculos formais por estado
A taxa de informalidade ficou em 37,3% da população ocupada. O Maranhão liderou com 57,6%, seguido por Pará (56,5%) e Amazonas (53,2%). Na outra ponta, Santa Catarina (25,4%), Distrito Federal (28,1%) e Mato Grosso do Sul (29,8%) tiveram as menores taxas. No setor privado formal, 74,7% dos trabalhadores tinham carteira assinada — com destaque para Santa Catarina (86,7%) e São Paulo (82,1%).
O país ainda contava com 1,1 milhão de pessoas buscando emprego há dois anos ou mais, queda de 21,7% frente ao mesmo período de 2025. A desigualdade entre homens e mulheres, porém, vai além da taxa de desocupação: dados do Ministério do Trabalho divulgados em abril apontam que mulheres ganham 21,3% menos que homens no setor privado — o maior gap salarial já registrado.
