Política

TSE lança mascote Pilili e acirra debate sobre urnas eletrônicas

Personagem criada para celebrar 30 anos da urna vira alvo de críticos que repetem suspeitas já derrubadas pela PF
Mascote Pilili da TSE em perspectiva institucional no debate sobre urnas eletrônicas

O Tribunal Superior Eleitoral lançou Pilili, mascote oficial das Eleições 2026, batizada em referência ao som emitido pela urna eletrônica ao confirmar um voto.

O anúncio, feito durante evento que celebrou os 30 anos do equipamento, foi suficiente para reacender nas redes sociais uma nova onda de ataques ao sistema eleitoral — sem nenhuma prova nova.

A personagem, que não tem gênero definido segundo o TSE, deve percorrer o país para estimular a participação eleitoral em outubro, quando serão escolhidos presidente, governadores, senadores e deputados.

Trinta anos de urna, zero fraudes comprovadas

O lançamento de Pilili fez parte do evento que marcou três décadas da urna eletrônica brasileira — celebrada pelo TSE como um marco de modernização e segurança do processo eleitoral. Para a Corte, o equipamento que substituiu a cédula de papel encerrou um histórico de manipulações nos resultados.

“Nesses 30 anos, [a urna eletrônica] acabou com a fraude eleitoral, acabou com a possibilidade de uma pessoa votar por outra, acabou com a possibilidade de não ser o resultado escolhido pelo povo”, afirmou a ministra Cármen Lúcia durante o lançamento. Ela passou formalmente a presidência do TSE a Nunes Marques nesta terça-feira (12).

O secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Julio Valente, reforça a linha: “Não há absolutamente nenhuma comprovação de fraude no processo eleitoral brasileiro com urnas eletrônicas desde 1996, em contraste total com a realidade que nós tínhamos antes, com o processo em papel.”

O histórico de ataques, porém, é longo. Em 2022, Jair Bolsonaro questionou repetidamente as urnas sem apresentar qualquer evidência — foi condenado pelo TSE por abuso de poder e ficou inelegível após realizar uma reunião com embaixadores no Palácio do Planalto para lançar suspeitas infundadas. Investigações da Polícia Federal revelaram que Mauro Cid, auxiliar direto de Bolsonaro, reconheceu a aliados que não havia qualquer indício de fraudes. Ao assumir o comando do tribunal, Nunes Marques elegeu a defesa intransigente das urnas como bandeira e anunciou novos protocolos de auditoria que permitirão aos partidos escolher quais equipamentos desejam avaliar.

Pilili vira munição política nas redes

Nas plataformas digitais, o lançamento da mascote foi rapidamente transformado em argumento contra o tribunal. O ex-deputado estadual Arthur do Val — cassado por quebra de decoro após declarações sexistas sobre refugiadas ucranianas — foi um dos primeiros a usar Pilili como munição contra o TSE.

“O TSE está enfrentando uma crise institucional. Eles pensam o seguinte: ‘O que podemos fazer para conter essa crise? E se a gente criasse um personagem, uma urna eletrônica, chamar ela de Pilili?'”, disse do Val nas redes sociais.

Outros perfis foram além: um vídeo no X afirmou que o nome seria uma estratégia deliberada de infantilização do eleitor para esconder supostas irregularidades. “Não é fofura. É blindagem. Infantilização com um objetivo claro”, diz a publicação. Uma terceira conta defendeu o voto impresso em papel com contagem pública como alternativa mais confiável.

A narrativa de que as urnas poderiam ser hackeadas também voltou a circular — apesar de já ter sido refutada tecnicamente. “As urnas eletrônicas não são conectadas à internet. O equipamento nem sequer tem essa possibilidade”, explicou o cientista político Vitor Marchetti, da UFABC, ao ser consultado sobre o tema em eleições anteriores.

O lançamento de Pilili coincidiu com a semana em que Cármen Lúcia passou formalmente o comando do TSE a Nunes Marques — cerimônia que gerou um impasse jurídico inédito ao convidar ex-presidentes em cumprimento de prisão domiciliar, entre eles o próprio Bolsonaro. Procurado para se posicionar sobre os ataques nas redes, o TSE não respondeu.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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