O assessor-chefe de Assuntos Internacionais da Presidência, Celso Amorim, minimizou o papel de Joesley Batista na ligação que conectou Lula a Donald Trump.
O telefonema, feito de forma informal no Palácio da Alvorada na véspera do feriado de 1º de maio, durou cerca de 40 minutos e abriu caminho para o encontro presencial realizado em 7 de maio na Casa Branca.
Amorim atribuiu a conquista do encontro ao trabalho da diplomacia brasileira e ao prestígio internacional de Lula, evitando comentar os detalhes da intermediação de Joesley.
Como a ligação entre Lula e Trump foi articulada
Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F, estava reunido com Lula no Palácio da Alvorada quando o presidente comentou a dificuldade de conseguir um encontro pessoal com Trump. Foi Joesley quem sugeriu fazer a ligação na hora — e Lula concordou.
A revelação que constrangeu o Palácio havia sido publicada horas antes: o telefonema foi feito pelo celular de Joesley Batista, e não por canais diplomáticos oficiais.
Trump adotou tom amistoso durante toda a conversa. Segundo relatos feitos a auxiliares do governo, o presidente norte-americano afirmou admirar a trajetória política de Lula e contou que pesquisou sobre a vida do brasileiro.
Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e propôs tratar de interesses bilaterais, conflitos internacionais e o papel da ONU. Trump sinalizou interesse em ouvir as opiniões do presidente brasileiro sobre esses temas.
O presidente norte-americano encerrou a ligação de forma descontraída, com um “I love you” dirigido a Lula. O aval para a data do encontro presencial chegou já no dia seguinte.
Três horas na Casa Branca e silêncio de Joesley
O encontro que a ligação desbloqueou durou três horas na Casa Branca e terminou sem coletiva de imprensa conjunta — Trump divulgou os resultados pela plataforma Truth Social, na quinta-feira (7).
Joesley Batista declarou nesta segunda-feira (11) que não comentaria a ligação nem seu papel em destravar a visita de Lula aos Estados Unidos. O silêncio do empresário contrasta com o incômodo demonstrado por integrantes do governo diante do vazamento de detalhes do episódio.
Amorim, em suas declarações, preferiu ressaltar o trabalho da diplomacia brasileira nos últimos meses e o prestígio internacional de Lula como fatores determinantes para o encontro — sem mencionar o papel do empresário na articulação informal que viabilizou o contato direto com Trump.
