O Banco de Brasília (BRB) assinou nesta segunda-feira (20) um memorando de entendimento com a gestora Quadra Capital para criar um fundo de investimento que absorverá até R$ 15 bilhões em ativos oriundos das operações com o Banco Master.
De acordo com o comunicado ao mercado, entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões serão pagos à vista. O restante — entre R$ 11 bilhões e R$ 12 bilhões — será convertido em cotas subordinadas do fundo a ser constituído pela gestora.
A transação integra um processo mais amplo de reestruturação do banco público, com foco em fortalecer a estrutura de capital, aumentar a liquidez e melhorar a gestão do portfólio. O BRB afirma que a operação contribuirá para a racionalização patrimonial da instituição, com expectativa de impactos positivos na organização financeira.
A conclusão do negócio ainda depende do cumprimento das condições previstas no memorando, e o banco se comprometeu a comunicar o mercado sobre eventuais avanços relevantes, conforme exigem as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A venda dos ativos à Quadra Capital integra o mesmo esforço de reestruturação que levou o BRB a convocar assembleia de acionistas para 22 de abril para aprovar a emissão de até R$ 8,86 bilhões em novas ações — plano de recapitalização acompanhado pelo mercado desde março.
O peso dos indícios de fraude
O Ministério Público Federal identificou que, só entre 2024 e 2025, o BRB injetou pelo menos R$ 16,7 bilhões no Banco Master. Desse total, ao menos R$ 12,2 bilhões envolvem operações com fortes indícios de fraude.
Parte dos ativos que o BRB agora tenta repassar ao fundo inclui carteiras de crédito consignado compradas do Master por R$ 11,5 bilhões — os mesmos contratos com a Tirreno que a PF classifica como sem lastro real e que tiveram firma reconhecida apenas dois dias antes de chegar ao banco público.
O negócio ganhou contornos públicos antes mesmo do comunicado oficial. Na sexta-feira (10), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), havia anunciado que um fundo propôs pagar R$ 15 bilhões por parte dos ativos do Master na carteira do BRB — sem especificar quais papéis seriam transferidos ou quanto permaneceria na instituição.
Para avançar na operação, Celina e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, viajaram a São Paulo e se reuniram com investidores, com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
O contexto investigativo pesa diretamente sobre a transação: a auditoria forense conduzida pelo Machado Meyer, cujo relatório foi entregue à Polícia Federal em 7 de abril, é a mesma que identificou os indícios de fraude nas operações que o BRB agora tenta monetizar por meio do fundo de R$ 15 bilhões.
