O Senado Federal aprovou, nesta quarta-feira (15), a indicação do deputado federal Odair Cunha (PT-MG) para o cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU). Foram 50 votos a favor, oito contrários e uma abstenção.
A aprovação fecha um ciclo iniciado na véspera, quando a Câmara dos Deputados referendou o nome com 303 votos. Com as duas casas do Congresso alinhadas, Cunha está confirmado como novo integrante da corte de contas.
O acordo por trás da indicação
A nomeação de Cunha para o TCU não é uma escolha isolada — é resultado de um acordo firmado em 2025 durante a disputa pela presidência da Câmara. Na negociação que garantiu a eleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), ficou acertado que a vaga aberta em fevereiro de 2026, com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, seria destinada ao PT.
Na véspera, a Câmara havia aprovado o nome de Cunha com 303 votos — votação marcada pela tentativa frustrada da oposição de construir uma candidatura única para barrar o indicado do PT. No Senado, o placar de 50 a 8 confirmou a aprovação com folga.
Atribuições do TCU
O TCU é composto por nove ministros e atua como órgão auxiliar do Congresso no controle externo do governo federal. Entre suas responsabilidades estão o acompanhamento da execução orçamentária e financeira da União, além da fiscalização contábil, operacional e patrimonial de órgãos e entidades públicas.
Durante a sessão do TCU realizada na própria quarta-feira, o presidente do tribunal, ministro Vital do Rêgo, afirmou que a corte recebeu a notícia da indicação de Odair Cunha com “alegria” — recepção que sinaliza acolhida do parlamentar entre os pares.
A chegada de Cunha ao TCU consolida a influência do PT no principal órgão de fiscalização do gasto público federal. O movimento encerra um ciclo de articulação em que o partido trocou apoio político na eleição do presidente da Câmara por um assento estratégico na corte de contas — num momento em que o governo Lula busca ampliar sua base de sustentação no Congresso.
Deputado federal por Minas Gerais, Cunha assume um cargo com mandato de dez anos, substituindo Aroldo Cedraz, aposentado em fevereiro deste ano.
