O deputado Odair Cunha (PT-MG) foi eleito nesta terça-feira (15) pela Câmara dos Deputados para ocupar a vaga aberta no Tribunal de Contas da União. Com 303 votos, o parlamentar superou com folga os demais candidatos. A indicação agora segue para análise e confirmação do Senado Federal.
A vitória consolida um acordo político firmado no ano passado: quando Hugo Motta (Republicanos-PB) foi eleito para a presidência da Câmara, ficou acertado que a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, em fevereiro, caberia ao PT.
A eleição foi marcada por movimentações intensas da oposição, especialmente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência da República, que tentou articular um nome alternativo para barrar o candidato do governo.
O PL chegou a trocar sua própria indicação durante o processo. Inicialmente, o partido indicaria Hélio Lopes (RJ), mas substituiu o nome por Soraya Santos (RJ) após apelo de Flávio por uma candidatura feminina. A estratégia não se sustentou: já no curso da votação, Soraya abriu mão da candidatura e o PL migrou seu apoio para Elmar Nascimento (União-BA).
A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) também havia se candidatado, mas retirou seu nome em busca de uma composição da oposição em torno de uma candidatura única. Outros parlamentares, porém, ignoraram o movimento e mantiveram suas próprias candidaturas, fragmentando a base opositora.
O placar final revelou a dimensão da derrota da oposição: Elmar Nascimento ficou em segundo lugar com 96 votos, seguido por Danilo Forte com 27, Hugo Leal com 20, Gilson Daniel com 6 e Adriana Ventura com 1 voto.
A tentativa de Flávio Bolsonaro de construir uma frente unificada de oposição esbarrou na resistência do chamado centrão. Partidos como Republicanos, MDB e PSD afirmaram que manteriam o acordo firmado com o presidente Motta, inviabilizando qualquer candidatura alternativa com força real para vencer.
O resultado reforça a capacidade do governo de honrar compromissos políticos firmados com aliados no Legislativo e de manter coesa sua base mesmo diante de pressão organizada da oposição. Para o PT, a vaga no TCU representa um ganho institucional relevante, com mandato de longa duração no órgão responsável pelo controle externo das contas públicas federais.
A indicação de Odair Cunha ainda precisa passar pela sabatina e aprovação do Senado Federal, etapa considerada protocolar para candidatos que já contam com apoio majoritário da Câmara.
