O Exército iraniano advertiu neste domingo (10) que países que adotarem as sanções dos Estados Unidos contra a República Islâmica enfrentarão dificuldades para cruzar o Estreito de Ormuz, passagem vital para o comércio mundial de hidrocarbonetos.
A declaração é resposta direta às novas sanções anunciadas por Washington em 1º de maio, que incluem represálias a navios flagrados pagando pedágio ao regime de Teerã para usar a rota marítima.
O aviso do Exército iraniano chega em um contexto de dupla restrição à navegação no estreito. O bloqueio naval americano aos portos iranianos, iniciado em 13 de abril, barra também navios que tenham pago pedágio ao regime de Teerã — enquanto Teerã, por sua vez, mantém controle rígido sobre quem passa pelo canal desde o início do conflito.
O pano de fundo é a guerra deflagrada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, que deixou milhares de mortos sobretudo no Irã e no Líbano e provocou instabilidade econômica em escala global. Desde então, o tráfego no estreito é liberado a conta-gotas pelas autoridades de Teerã, que passaram a cobrar taxas de passagem como instrumento de pressão.
Disputa no Conselho de Segurança
Na quinta-feira, Estados Unidos e países do Golfo levaram o tema à ONU, exigindo que o Irã cesse o bloqueio à navegação. Washington e Bahrein chegaram a apresentar um projeto de resolução nesse sentido — mas a Rússia, aliada de Teerã, sinalizou estar disposta a vetar o texto antes mesmo de sua votação.
Em 23 de abril, o vice-presidente do Parlamento iraniano, Hamidreza Haji Babaei, já havia anunciado que Teerã recebera as primeiras receitas provenientes das taxas cobradas pelo trânsito no estreito — indicando que o mecanismo opera simultaneamente como fonte de renda e como instrumento de pressão política.
A escalada verbal tem mais de uma frente. No sábado, Ebrahim Azizi, presidente da comissão parlamentar de Segurança Nacional do Irã, foi ao X ameaçar diretamente os países aliados dos EUA que apoiassem o projeto de resolução da ONU — indicando que o aviso militar deste domingo não é isolado, mas parte de uma estratégia coordenada de pressão sobre terceiros.
A instabilidade na passagem tem ainda uma dimensão física: o próprio Irã admitiu ter perdido o controle sobre a localização das minas navais instaladas na região durante os combates, o que adiciona risco concreto à navegação independente de qualquer decisão política.
O Estreito de Ormuz é rota obrigatória para grande parte do petróleo exportado pelo Golfo Pérsico. Qualquer perturbação duradoura no trânsito pela passagem tem potencial de pressionar os preços globais de energia e ampliar o impacto econômico de um conflito que já abalou mercados internacionais.
