Economia

Governo lança MP para subsidiar gasolina e diesel antes das eleições

Desconto tributário na Cide e PIS/Cofins pode chegar a R$0,45 por litro; custo ao erário estimado em até R$1,2 bilhão por mês
Cobertura sobre subsídio gasolina diesel medida provisória: decisão do governo Lula de reduzir preços de combustível

O governo federal editou, nesta quarta-feira (13), uma medida provisória para subsidiar gasolina e diesel com benefícios tributários sobre a Cide e o PIS/Cofins — contribuições federais que incidem diretamente sobre os combustíveis.

A MP foi publicada a cinco meses das eleições de outubro, em meio à disparada do petróleo após o ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, e com a Petrobras sinalizando reajuste iminente nos preços das refinarias.

A subvenção tributária começa pela gasolina — combustível que ainda não havia sido alvo de medidas específicas de contenção de preços — e se estenderá ao diesel. O desconto não poderá ultrapassar o teto vigente de cada tributo federal.

O valor exato da subvenção será definido em ato do Ministério da Fazenda nos próximos dias. O ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, estimou benefício entre R$0,40 e R$0,45 por litro de gasolina e de R$0,35 por litro de diesel. O custo mensal total ficará entre R$1 bilhão e R$1,2 bilhão — valor que o governo classifica como fiscalmente neutro. O repasse será feito diretamente a produtores e importadores pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para referência, cada R$0,10 de subsídio por litro representa R$272 milhões/mês na gasolina e R$492 milhões/mês no diesel.

PL parado na Câmara forçou o uso da MP

A MP anunciada hoje preenche um vazio deixado pelo Congresso: o projeto de lei complementar que autorizaria o uso de receitas extraordinárias do petróleo para cortar tributos sobre combustíveis foi enviado pelo Executivo em abril e segue parado na Câmara sem previsão de votação. Se aprovado, o PL permitiria reduzir PIS/Cofins e Cide-gasolina sempre que a alta do petróleo gerasse arrecadação extraordinária — exatamente o cenário atual.

Na véspera do anúncio, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia admitido publicamente que a Petrobras precisaria reavaliar os preços — com defasagem então estimada em 30% no diesel e 65% na gasolina frente ao mercado internacional —, sinalizando que alguma resposta do governo era inevitável.

Os números da pressão são expressivos: a Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom) calcula defasagem de 39% no diesel e 73% na gasolina frente aos preços internacionais. Com esse nível de distorção, qualquer reajuste da Petrobras teria impacto imediato e severo no custo de vida — e na inflação.

Durante conferência de resultados do primeiro trimestre, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, confirmou que o reajuste estava previsto para “já já” e revelou que empresa e governo já trabalhavam em conjunto numa solução para atenuar os efeitos sobre a população. O anúncio da MP ocorreu no mesmo dia em que Chambriard tornou o reajuste iminente nas refinarias — tornando o subsídio necessário desde o primeiro momento de sua vigência.

A raiz do problema remonta a 2023, quando a Petrobras abandonou a paridade de preços com o mercado internacional, vigente desde 2016. A mudança buscou isolar o consumidor brasileiro da volatilidade cambial e das cotações externas. Com a guerra no Oriente Médio elevando o petróleo, o modelo contém a inflação interna, mas comprime as margens da estatal e amplia o risco de desabastecimento no médio prazo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Desenrola Fies proíbe apostas para quem renegociar dívida estudantil

Anvisa confirma bactéria em mais de 100 lotes de produtos Ypê

Governo lança MP para subsidiar gasolina e diesel antes das eleições

Brasil bate recorde de consumo de vinho em 2025 enquanto mercado global encolhe