O Brasil consumiu mais vinho do que nunca em 2025. O volume chegou a 4,4 milhões de hectolitros, recorde histórico que representa alta de 41,9% ante o ano anterior, segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV).
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (12) e contrastam com o mercado global, onde o consumo caiu 2,7% no mesmo período e acumula retração de 14% desde 2018.
Na contramão do mundo
Segundo maior mercado da América do Sul, o Brasil consumiu 4,4 milhões de hectolitros de vinho em 2025 — equivalente a 440 milhões de litros. Ao lado do Japão, foi um dos poucos países a registrar crescimento num cenário de retração generalizada.
No mundo, o volume total consumido chegou a 208 milhões de hectolitros no ano passado. A OIV aponta que a queda reflete mudanças nos hábitos dos consumidores e, desde a pandemia de covid-19, também a perda de poder de compra das famílias e o aumento de custos e preços.
Grandes mercados em queda
Os maiores consumidores globais puxaram o volume para baixo. Os Estados Unidos, que chegaram a liderar o mercado mundial, recuaram 4,3% e encerraram 2025 com 31,9 milhões de hectolitros. A França caiu 3,2%, para 22 milhões de hectolitros, mantendo uma trajetória de retração que se arrasta há décadas.
Na União Europeia — responsável por 48% do consumo global —, a Itália registrou a maior queda entre os grandes mercados: 9,4%, chegando a 20,2 milhões de hectolitros. Alemanha e Espanha seguiram o mesmo caminho. Entre os dez maiores consumidores do mundo, apenas Portugal registrou crescimento, impulsionado pela demanda interna.
A China teve trajetória ainda mais acentuada. O país despencou do sexto para o 11º lugar entre os maiores consumidores mundiais desde 2020, numa retração contínua que se arrasta desde 2018.
Vinhedos brasileiros em expansão
O avanço do Brasil não ficou restrito ao consumo. O país também ampliou a área dedicada ao cultivo de uvas para vinho pelo quinto ano consecutivo, alcançando 91 mil hectares em 2025 — alta de 9,6% em relação ao ano anterior.
O movimento contrasta com o que ocorreu nos principais produtores da região. A Argentina manteve a queda de consumo pelo quinto ano seguido, recuando 2,6% para 7,5 milhões de hectolitros. Na área de vinhedos, o país encerrou 2025 com 196 mil hectares, retração de 1,9% ante 2024.
O Chile também encolheu sua área cultivada: 154 mil hectares em 2025, queda de 3,7% no ano e de 27% desde 2019. A Espanha, maior área de vinhedos do mundo, somava 919 mil hectares — redução de 1,3% ante o ano anterior.
O crescimento consistente dos vinhedos brasileiros ao longo de cinco anos aponta para um setor em expansão estrutural, num momento em que a maior parte dos países produtores caminha na direção oposta.
