O dólar abriu em queda nesta segunda-feira (27), a R$ 4,9687 — recuo de 0,58% —, mas o câmbio tranquilo contrasta com o estado de alerta dos mercados diante das tensões no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz, rota vital do petróleo do Golfo Pérsico, segue bloqueado pelo impasse entre Washington e Teerã, mantendo o barril acima de US$ 100.
No Brasil, o Boletim Focus registrou a sétima semana seguida de alta nas projeções de inflação para 2026, que subiram de 4,8% para 4,86%.
Diplomacia travada e Estreito de Ormuz sob pressão
Donald Trump cancelou a visita de dois enviados americanos ao Paquistão, reduzindo as expectativas de progresso nas negociações de paz. A decisão deu o tom do pregão, com investidores monitorando cada sinal do impasse entre EUA e Irã.
Do lado iraniano, autoridades sinalizaram disposição para encerrar o controle sobre o Estreito de Ormuz — desde que os EUA suspendam o bloqueio ao país. Mesmo com o cessar-fogo frágil em vigor, a passagem de petroleiros pela rota estratégica segue comprometida.
A trégua em vigor é a extensão do acordo anunciado por Trump em 22 de abril — que, naquele pregão, derrubou o dólar abaixo de R$ 5 e afundou o petróleo mais de 15%. Com as negociações estagnadas, a volatilidade voltou.
Sétima semana seguida de alta nas projeções de inflação
No Brasil, o Boletim Focus confirmou nova rodada de revisão para cima: a estimativa de inflação para 2026 passou de 4,8% para 4,86%. O petróleo acima de US$ 100 é o principal fator — bem abaixo dos US$ 110 registrados quando Trump impôs prazo ao Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, no início de abril, mas ainda em patamar historicamente elevado e suficiente para pressionar preços domésticos.
Bolsas globais operam sem direção definida
Em Wall Street, os contratos futuros abriam perto da estabilidade enquanto investidores acompanhavam o impasse diplomático. O Dow Jones recuava 0,09%, o S&P 500 permanecia estável e o Nasdaq subia 0,15%, por volta das 8h30 (horário de Brasília).
Na Europa, o STOXX 600 avançava 0,34%, aos 612,74 pontos. O DAX alemão subia 0,3% e o CAC 40 francês ganhava 0,1%, enquanto o FTSE 100, do Reino Unido, recuava 0,1%.
Na Ásia, os mercados fecharam sem direção clara. O Nikkei liderou com alta de 1,38%, e o KOSPI, da Coreia do Sul, subiu 2,15%. Em Hong Kong, o Hang Seng recuou 0,20%; Xangai registrou alta de 0,16% no Shanghai Composite, e o CSI 300 avançou 0,03%.
O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha abertura prevista para as 10h, com investidores de olho nos desdobramentos do conflito no Oriente Médio.
