O dólar abriu esta quinta-feira (30) em queda de 0,32%, cotado a R$ 4,9858, em um dia marcado por indicadores relevantes tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
No cenário externo, o petróleo Brent superou os US$ 125 por barril, impulsionado por nove semanas de guerra no Irã e pelo bloqueio ao Estreito de Ormuz.
No Brasil, o IBGE divulga a Pnad Contínua de março, com mercado projetando desemprego em torno de 6,1%. Nos EUA, a primeira estimativa do PIB do primeiro trimestre deve mostrar aceleração para 2,3%.
Conflito no Irã: petróleo em alta e negociações travadas
O petróleo Brent, que havia chegado a US$ 110 quando o prazo de Trump ao Irã expirou no início de abril, agora ultrapassa os US$ 125 — reflexo de mais de três semanas sem avanço concreto nas negociações. Veja como o Brent escalou desde o fim do prazo.
O bloqueio aos portos iranianos e o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo — seguem em vigor, com o Irã condicionando a reabertura total ao fim definitivo da guerra e a garantias de segurança.
A extensão do cessar-fogo anunciada em 22 de abril, que havia derrubado o dólar a R$ 4,96, segue sem evolução — e o mercado opera cada vez mais cético quanto a um acordo rápido. Trump voltou a ameaçar o Irã publicamente, sinalizando insatisfação com as propostas em curso e a possibilidade de novos ataques. Teerã afirma que responderá com mais intensidade e usa o período de cessar-fogo para reorganizar sua capacidade militar, incluindo produção de drones.
Agenda do dia: PNAD e PIB americano
No Brasil, a taxa de desemprego estava em 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro. Para março, o mercado projeta avanço para cerca de 6,1% — dado que o IBGE divulga às 9h por meio da Pnad Contínua.
Nos Estados Unidos, o Departamento do Comércio divulga às 9h30 a primeira estimativa do PIB do primeiro trimestre de 2026. A economia americana cresceu 0,5% no quarto trimestre; agora a projeção é de aceleração para 2,3%.
Na véspera, o dólar já abria pressionado pela mesma combinação: Trump ameaçando o Irã publicamente e o mercado na expectativa pelas decisões do Copom e do Fed — ambas confirmadas ao longo do dia. Veja a abertura de ontem.
O Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, em linha com o esperado. Foi a terceira reunião consecutiva sem alteração e a última sob o comando de Jerome Powell, que deixa o cargo em 15 de maio após oito anos. Com a saída de Powell, crescem as especulações sobre mudanças na política monetária com Kevin Warsh assumindo a presidência da instituição.
No Brasil, a guerra no Oriente Médio complica o cenário para o Copom. A alta do petróleo pressiona a inflação global e os preços dos combustíveis, levando parte dos analistas a defender cautela no ciclo de corte de juros. O mercado projeta inflação de cerca de 4% para o próximo ano, acima do centro da meta de 3%.
Nos mercados globais, o desempenho foi misto. As bolsas asiáticas fecharam em alta: o SSEC de Xangai subiu 0,71%, o Hang Seng de Hong Kong avançou 1,68% e o Kospi de Seul ganhou 0,75%, impulsionados por ações de terras raras, baterias e energia limpa. Em contraste, Wall Street encerrou sem direção definida — o S&P 500 caiu 0,04% e o Dow Jones recuou 0,57% —, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 perdeu 0,60%.
