Os preços do petróleo avançaram mais de US$ 4 por barril nesta segunda-feira (1º) após EUA e Irã trocarem ataques e Israel ordenar avanço das tropas no Líbano, derrubando as últimas esperanças de extensão do cessar-fogo entre as potências.
A alta interrompe uma sequência brutal: em maio, o Brent recuou cerca de 19% e o WTI, 17% — a maior queda mensal em termos absolutos dos dois contratos desde março de 2020, quando a pandemia de Covid-19 afundou a demanda global por energia.
O colapso das negociações diplomáticas está no centro da virada de humor do mercado. Na sexta-feira (29), Washington sediou conversas de paz entre Israel e Líbano, mas os combates que se seguiram esvaziaram as perspectivas de que EUA e Irã pudessem anunciar em breve a extensão do cessar-fogo firmado em abril.
Donald Trump afirmou na sexta que tomaria uma decisão sobre a proposta de prorrogação “em breve”. Israel, peça-chave em qualquer acordo, mantém a ofensiva no Líbano — e o Irã insiste que o Hezbollah e o país devem ser incluídos nas negociações. Os EUA propuseram um plano de “redução gradual da escalada”, segundo autoridade americana ouvida no domingo.
Estreito de Ormuz volta ao centro das preocupações
O analista Tony Sycamore, do IG, alertou para o risco crescente de minas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo e gás. Um repórter da Axios relatou que o Irã teria lançado novas minas no estreito no início da semana passada. As preocupações com a rota não são inéditas: no início de maio, relatos de mísseis contra um navio americano no mesmo estreito já haviam elevado o barril acima de US$ 100. “Mesmo que se chegue a um acordo, ele não vai gerar uma enxurrada de suprimentos”, afirmou Sycamore.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, atribuiu o atraso diplomático à falta de confiança, às posições contraditórias de Washington e aos ataques israelenses ao Líbano.
O Goldman Sachs avaliou no domingo que a fraca demanda de petróleo na China e na Europa representa o maior risco de queda para suas projeções: Brent no quarto trimestre em US$ 90 por barril e WTI em US$ 83. O banco ressaltou, porém, que interrupções no fornecimento do Oriente Médio ainda têm potencial de elevar os preços.
Dados econômicos do fim de semana reforçaram a cautela com a demanda: a China, segunda maior economia do mundo, registrou estagnação da atividade fabril em maio. A Arábia Saudita, por sua vez, deve cortar pelo segundo mês consecutivo seus preços oficiais de venda de petróleo bruto para a Ásia em julho, segundo pesquisa da Reuters.
A queda mensal recorde de maio teve seu estopim no início do mês, quando rumores de um acordo de uma página entre Washington e Teerã derrubaram o Brent mais de 10% em um único pregão — euforia que se mostrou prematura. O patamar atual ainda está bem abaixo do pico de meados de maio, quando Trump ameaçou “aniquilar” o Irã e o Brent ultrapassou US$ 111 — o teto a partir do qual os preços despencaram quase 20% até o fim do mês.
