Pela primeira vez, o medo de cair em golpes pela internet empata — tecnicamente — com o temor de assaltos e homicídios no Brasil. Segundo pesquisa Datafolha divulgada neste domingo (10), 83,2% dos brasileiros temem fraudes financeiras por internet ou celular.
O levantamento integra o relatório “Medo do crime e eleições 2026”, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre 9 e 10 de março de 2026.
Os golpes digitais não são apenas o maior temor: também foram o tipo de crime mais registrado pelos brasileiros nos últimos 12 meses. Cerca de 15,8% da população com 16 anos ou mais — equivalente a 26,3 milhões de pessoas — afirmaram ter sido vítimas de fraudes pela internet ou pelo celular.
O medo de roubo à mão armada ficou em segundo lugar, com 82,3% das menções, seguido pelo temor de ser morto durante um assalto, com 80,7%. A proximidade dos índices revela uma reconfiguração no perfil da insegurança no país: o crime digital já disputa espaço com as modalidades tradicionais de violência.
Quem está mais exposto
A vitimização digital não é uniforme. O relatório aponta que o perfil das vítimas está diretamente ligado à inserção financeira e ao porte dos municípios. Pessoas com maior acesso a serviços bancários e residentes em centros urbanos maiores apresentam maior exposição às fraudes — um dado que contraria a ideia de que os mais vulneráveis são sempre os de menor renda.
A cifra que a polícia não vê
O dado mais revelador do relatório pode ser o que não aparece nos registros oficiais. Estima-se que apenas 8,2% dos casos de golpe digital cheguem ao conhecimento das autoridades via boletim de ocorrência de estelionato. Nove em cada dez vítimas simplesmente não procuram a polícia.
Essa subnotificação massiva tem efeitos além do dado estatístico. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a chamada “cifra oculta” alimenta a percepção de impunidade e corrói a confiança da população nas instituições — um ciclo que dificulta tanto o combate ao crime quanto a resposta política ao problema.
A pesquisa foi realizada com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. A amostragem nacional contou com 2.004 entrevistas em 137 municípios.
