A China suspendeu temporariamente três frigoríficos brasileiros por irregularidades sanitárias: JBS, PrimaFoods e Frialto. A informação foi divulgada pela Abiec nesta quinta-feira (22).
A medida tem caráter preventivo e visa garantir a rastreabilidade da matéria-prima até que as empresas adotem as providências necessárias.
JBS, PrimaFoods e Frialto não responderam aos pedidos de posicionamento. O Ministério da Agricultura e a Embaixada da China também não se manifestaram.
A Abiec informou que as cargas apontadas pelas autoridades chinesas estão sendo tratadas “conforme os protocolos sanitários estabelecidos entre os dois países”. A entidade defende que o Brasil tem “um dos sistemas de controle sanitário mais rigorosos e reconhecidos internacionalmente, com monitoramento contínuo ao longo de toda a cadeia produtiva e atuação permanente do Serviço de Inspeção Federal (SIF)”.
A suspensão ocorre dois dias após a China anunciar a liberação de outras três plantas que estavam bloqueadas desde março de 2025 — incluindo uma unidade da própria JBS, em Mozarlândia (GO). As outras duas plantas liberadas eram da Frisa, em Nanuque (MG), e da Bon-Marte, em Presidente Prudente (SP).
O Brasil conta com mais de 100 frigoríficos habilitados para exportar carne para a China, segundo o Ministério da Agricultura.
O movimento de Pequim evidencia a volatilidade das relações comerciais no setor de carnes: na mesma semana, a China abriu e fechou a torneira para diferentes plantas brasileiras — revelando um ambiente de fiscalização ativa e imprevisível para os exportadores.
O setor já vivia sob pressão antes da nova suspensão. O presidente da Abiec alertou no início do mês que as exportações brasileiras de carne bovina podem cair 10% em 2026 pelas restrições do mercado chinês.
A China é o principal destino das exportações de carne bovina do Brasil. Suspensões sanitárias, mesmo temporárias, geram impacto direto na balança comercial e na cadeia produtiva do agronegócio nacional.
