Walter Delgatti Neto, o hacker de Araraquara, saiu da Penitenciária 2 de Potim, no interior paulista, na tarde desta sexta-feira (8), após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizar a progressão para o regime aberto.
Delgatti cumpria pena em regime semiaberto pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A decisão foi publicada na quinta-feira (7) e reconhece o cumprimento dos requisitos da Lei de Execução Penal, incluindo bom comportamento carcerário.
Condições do regime aberto
Apesar de deixar a prisão, Delgatti segue sob uma série de restrições impostas pelo STF. Ele terá de usar tornozeleira eletrônica, está proibido de acessar redes sociais e deve cumprir recolhimento domiciliar noturno nos dias úteis — além de permanecer em casa integralmente nos fins de semana e feriados.
O condenado também é obrigado a comprovar atividade lícita e a comparecer semanalmente à Justiça para prestação de contas.
Na quinta-feira (7), Moraes havia formalizado a decisão detalhando todas as condições — incluindo cancelamento de passaportes e proibição de deixar a comarca sem autorização prévia — além de reconhecer os 2 anos, 9 meses e 3 dias já cumpridos e a remição de 100 dias pelo Enem PPL.
Defesa comemora e faz promessa
Os advogados de Delgatti afirmaram ter recebido a decisão “com serenidade” e classificaram o benefício como “reconhecimento técnico do cumprimento rigoroso dos requisitos exigidos pela Lei de Execução Penal”.
A defesa destacou que o cliente manteve comportamento carcerário avaliado como “ótimo” pela unidade prisional e demonstrou comprometimento com a ressocialização por meio do estudo — incluindo aprovação integral no Enem PPL, que resultou na remição dos 100 dias de pena. Segundo os advogados, “todas as obrigações judiciais serão rigorosamente cumpridas nesta nova etapa”.
De Spoofing ao CNJ
Walter Delgatti ganhou projeção nacional em 2019, quando foi alvo da Operação Spoofing, que investigou a invasão de celulares de autoridades ligadas à Operação Lava Jato — episódio de grande repercussão política no país.
Mais tarde, já no contexto da crise pós-eleitoral de 2022 e 2023, ele foi condenado por inserir dados falsos nos sistemas do CNJ, crime associado à trama golpista que visava desestabilizar o Judiciário brasileiro.
A progressão para o regime aberto não encerra os processos que envolvem o hacker. Delgatti ainda responde por outros casos, e sua trajetória permanece sob vigilância do STF — que mantém as restrições digitais e de locomoção como condições inegociáveis desta nova fase da execução penal.
