Os Estados Unidos concluíram a retirada de todo o urânio enriquecido do reator de pesquisa RV-1, na Venezuela. A operação foi anunciada nesta sexta-feira (8) pelo Departamento de Energia do governo norte-americano (DOE/NNSA) e removeu 13,5 quilos de material nuclear em menos de seis semanas.
O urânio ficou estocado no reator desde 1991, quando as pesquisas em física e energia nuclear foram encerradas. Com enriquecimento acima de 20%, o material era classificado como excedente sensível — abaixo do grau militar, mas acima do limite crítico internacional.
Operação em três fases com suporte internacional
A missão foi estruturada em três fases e contou com a participação de autoridades venezuelanas, especialistas do Reino Unido e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU responsável pela regulação do uso pacífico da energia nuclear no mundo.
O comunicado do DOE/NNSA detalha que o urânio foi embalado em contêiner específico para combustível nuclear. Toda a operação foi concluída em menos de seis semanas após a visita inicial ao local — prazo descrito como excepcionalmente rápido para esse tipo de missão.
O reator RV-1 apoiou pesquisas em física e energia nuclear durante décadas. Com o encerramento das atividades em 1991, seu combustível ficou estocado sem uso até a operação agora concluída pelo governo Trump.
O DOE/NNSA atribuiu a agilidade da ação à “liderança decisiva do presidente Trump”, afirmando que as equipes concluíram em meses o que normalmente levaria anos por vias convencionais.
O mesmo limite crítico em disputa com o Irã
A operação na Venezuela ocorre em meio à crescente pressão americana sobre o controle do urânio enriquecido no mundo. O material removido do reator RV-1 tem enriquecimento acima de 20% — o mesmo limite crítico no centro do impasse nuclear entre Washington e Teerã.
Nas negociações realizadas em Islamabad, o Irã se recusou a transferir seu estoque de urânio enriquecido a terceiros — posição oposta à adotada pela Venezuela, que cooperou com os EUA para viabilizar a retirada. Entenda por que o Irã rejeita a transferência do seu urânio enriquecido.
A iniciativa integra um esforço mais amplo da administração Trump para limitar a circulação de materiais nucleares sensíveis fora do controle de potências reconhecidas. O envolvimento do Reino Unido e da AIEA reforça o caráter multilateral da ação, ainda que a narrativa oficial americana coloque Trump como protagonista da iniciativa.
